Ele tem uma diversidade de usos - preenche, contorna, acrescenta detalhes. O acabamento se torna refinado, o traço adquire elegância. Há o aprimoramento ao aplicarmos o nanquim. Atravessando oceanos, ele veio do oriente de onde a escrita é "pincelada" e leva consigo atributos artísticos. Escribas e artistas o extraíam de moluscos marinhos, seres que produzem o pigmento preto como camuflagem para executar fugas diante de ameaças.
Essa tinta nobre já é reproduzida em laboratório, em larga escala, poupando um pouco a natureza de nós. Tornou-se mais um produto destinado ao ramo artístico profissional, escolar ou acadêmico. Está sob marcas registradas industriais: uma tradição milenar convertida em artigo de papelaria moderno. Nem por isso com a importância negada. O nanquim faz "magia" através de seu preto profundo pelas mãos de artistas gráficos.
O desenho tradicional ainda é a forma de arte majoritária dentre as minhas escolhas. Aplicar tinta é um prazer. Um prazer possível porque requer precisão e treino. Há um leque de possibilidades - bastante amplo - na utilização desse material. Os resultados são diversos: estão nas técnicas e nos conhecimentos de como alcançar cada efeito sobre o papel. Não depende só da tinta, mas muito do artista.
E as ferramentas são múltiplas. Temos as canetas de ponta fina (as mais populares). E também a pena e o pincel. As recém-chegadas são as brushpens: canetas recarregáveis com pontas "pincel". Práticas, fáceis de lidar e portáveis, são queridas pela maioria dos desenhistas. Ideais para se carregar no estojo e trabalhar onde estiver: em locais públicos, ao ar livre, etc. E é no estojo onde elas permanecem quando estou em casa e diante de minha prancheta. Porque prefiro me pôr à prova e aplicar-me a finalizações mais meticulosas.
O autodesafio se torna natural após treinos insistentes. E as recompensas são maiores. O suspense é parte da utilização desse instrumento exigente. Os seus manejos só são bem-sucedidos após muita familiarização e a intimidade. Materiais tradicionais deveriam ser para todos... porém, em nossos dias, existe a ampla acessibilidade aos equipamentos de arte digital. Desse modo, o empenho com nanquim é passível de ser considerado uma insistência anacrônica. Espaço, limpeza e agilidade sacrificados podem ser questionados.
Dentre os que duvidam, há (ainda bem) a admiração manifesta por alguns. De todo modo, o nanquim continua em minha bancada de desenho. Está sempre presente na prancheta e ao meu alcance. Enquanto existirmos (eu e o nanquim), estaremos unidos: ferramenta e artista envolvidos, produzindo e comunicando. Entre a devoção e o desafio.













