Homem Quieto

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Comunicando-me com o mundo de minha workstation Oniria.

Fazia incursões no meio da madrugada com o walkman na cintura e fones nos ouvidos. Não me importava com a economia, com o Estado, tampouco c...


Fazia incursões no meio da madrugada com o walkman na cintura e fones nos ouvidos. Não me importava com a economia, com o Estado, tampouco com as opiniões das pessoas. Parava diante das danceterias e ficava ali, olhando o movimento, porém completamente alheio. Minhas caminhadas pela cidade eram assim. Nas cassetes, uma das bandas de Heavy Metal mais importantes: Judas Priest. Sempre com o play na coletânea de três discos passados para as fitas.

Arte original.
Esse também era o meu jeito de lidar com a fritura psicológica aplicada por meus companheiros e companheiras de classe no segundo grau. Judas Priest (meu guia) rodava nos ouvidos e nada poderia me afetar. Porque eu era algo muito parecido com o "eu" atual: um outsider. Renegava religiões, ignorava a política e não dava a mínima às pessoas fora de meu meu circulo familiar. Isso porque não haviam amigos. Ser um "lobo solitário" era a minha conduta por livre escolha.
Lápis totalmente sem lapidação.
Além de invocar essas memórias da outra juventude, Judas Priest divide o topo das bandas aqui em Oniria. Cada disco, um deleite, uma experiência... por mais que se repita, ainda traz o prazer só possível pela boa música. Dentre meus prediletos, está o álbum "Painkiller". Alguns dizem que essa obra originou o chamado "Power Metal". Seja lá como chamam o gênero, eu apenas considero como música de qualidade. Forte, veloz, imponente. Uma pancada musical.
 
Mark Wilkinson foi o artista responsável pela criação da arte da capa de Painkiller. É um capista bastante conhecido por ter trabalhado em inúmeros outros títulos (não somente de Heavy Metal). E eu venho com a minha versão de Painkiller, usando a Vivi Morbi de minha webcomic. Coloco Vivi para substituir a figura do anjo pilotando a sua motocicleta demoníaca em um céu apocalíptico. O veículo agora é a Vespa da Vivi, vista bastante em sua webcomic.
No sketchbook, a aplicação de cores.
A execução dessa arte foi, como sempre, em um sábado à tarde, após um cafezinho. Interessante como percebi a passagem do tempo durante esse desenho. Iniciei às 15h e terminei às 18h30. Para mim, havia se passado quinze minutos. Fiquei realmente bem envolvido nesse projeto e não vi o tempo passar. Tudo fluiu naturalmente - do lápis, arte-final, à aquarela. Tenho me dado bem com as cores. Usar meu godê traz alguma satisfação. Relaxo bastante com a mistura de cores, o contato com os materiais, acompanhados da aplicação no papel.
 
Resultado final. Valeu a tarde de sábado.
O café, dessa vez, foi um L'or Ultimo Gourmet Pouch. É um investimento compensador. Estou passando essa marca apenas aos sábados e domingos. Durante a semana, passo café Pilão Tradicional. O L'or fica para quando o momento exige. Por se tratar de um café gourmet, não dá para consumir do dia a dia, pois isso pode gerar um rombo nas finanças. Gosto da torra máxima por trazer um sabor marcante e bem intenso. Habituei-me, desde muito tempo, a dispensar o açúcar - prefiro não alterar o sabor do café. E para acompanhar, vai uma fatia de bolo ou pães com margarina. Vê-se o bom gosto aqui em Oniria, sempre.

Nos meus afazeres de início de ano aqui na Oniria (meu estúdio), achei por bem colocar dentre as prioridades as atividades no blog. Da pranc...

Nos meus afazeres de início de ano aqui na Oniria (meu estúdio), achei por bem colocar dentre as prioridades as atividades no blog. Da prancheta vim até a minha workstation de edição para o post de partida de 2026. Claro, trazendo para cá uma nova página de meu sketchbook, resultante de uma tarde de sábado após um delicioso café.
 
"The Ultimate Sin" é o quarto álbum do saudoso Ozzy Osbourne, ex-vocalista da lendária banda Black Sabbath e uma figura mitológica da música e do Rock. Merecidamente, Ozzy é reconhecido por sua vida e obra. Poder, vitalidade e irreverência marcaram a trajetória do ídolo. Tenho, em minha coleção de CDs, algo do legado do artista na carreira solo. Um recorte que vai de Blizzard of Ozz, até No More Tears. Por causa da admiração às várias facetas de Ozzy, resolvi trazer uma releitura da capa de um disco tocado muitas vezes aqui em Oniria.

A obra surgindo no meu estilo e com meus personagens.

Sobre até onde conheço a carreira de Ozzy, ele foi acompanhado por grandes músicos ao longo de sua discografia, resultando em uma sequência irretocável de discos. Ou seja: teve os cuidados merecidos e à altura de seu talento e valor como personalidade e vocalista. Em "The Ultimate Sin", temos um trabalho primoroso da primeira à última faixa, sem ressalvas. "The Shot in the Dark", canção responsável por finalizar volume, está dentre as melhores de minha vida.

O Sketchbook é o aliado do artista.

O poder da música de Ozzy ultrapassa fronteiras e nos leva a estados de grande satisfação. Para mim, significados insubstituíveis a manter comigo eternamente. Eu explico. Durante uma de minhas piores crises, reergui-me ao som de The Shot in the Dark. Ela se repetia na playlist no Winamp de meu computador... Tive a compreensão e apoio de meu pai. Tive os remédios. E, aliados a eles, os papos no mIRC e MSN com amigos os quais nunca vi os rostos e que os identificava apenas por seus nicknames. Tudo decisivo para tornar possível a minha recuperação prontamente, após alguns meses de sofrimento.
 
Embora eu seja grato por tudo isso, vamos falar um pouco mais do presente momento. Mostro aqui, ao visitante de meu blog, a releitura da capa de The Ultimate Sin, originalmente criada pelo ilustrador de fantasia e Scifi, Boris Vallejo. Experimento novas técnicas de pintura e, com um certo egocentrismo, substituo as figuras da arte original por meus personagens: Vivi Morbi e Etrom. Ambos de minha HQ Vivi Morbi, publicada digitalmente.

No ano passado perdemos Ozzy poucas semanas após seu último show. Assisti a despedida com grande satisfação em ver um homem liberto das limitações do mundo, corajoso e forte. Mesmo não sendo um exemplo a ser seguido por sua vida pessoal, Ozzy foi um guerreiro até o último instante. Seu trabalho fez o mundo conhecer um grande poder criativo e ficar face à inovações fatídicas na história da música. O grande "Príncipe das Trevas" participou de um fenômeno, foi capaz ajudar a trazer ao mundo o gênero musical que tanto adoro: o Metal.

Sobrevivência, sobrepeso, sobremesa e é sobre isso. Estamos nos eventos finais do ano de 2025, e eu na atividade contínua na arte e na vida ...

Sobrevivência, sobrepeso, sobremesa e é sobre isso. Estamos nos eventos finais do ano de 2025, e eu na atividade contínua na arte e na vida real. Somando tudo, saldo positivo, a despeito do que há de desfavorável, nos resta o celebrável.
 
Um fato oculto das minhas aparições online é o de que tenho desenhado ainda mais. Mesmo não postando por aí, desenho todos os dias. Foram dois sketchbooks completos, iniciados em outubro. E outra: estou trabalhado em um projeto sobre o qual só poderei falar depois. Uma HQ... e pela primeira vez não é de minha autoria, sou coautor apenas como desenhista.
 
Ou seja, a plena produção ocorre em silêncio. Coisas acontecendo no offline e enfim... Contudo, o divertimento acontece, a vida passa ligeiramente e eu tento contemplar os detalhes. É como apreciar todos os desenhos de uma HQ, habitualmente ignorados em uma leitura rápida. As ilustrações da vida são bem elaboradas, porém observadas por segundos - procuro as ver no mundo que me cerca e no cotidiano também.


Vamos ao balancete de de 2025!!
 
01/03/2025 - Publico meus contos online. [link]
 
08/03/2025 - Eu no Tchê Zine em 2025. [link]
 
25/06/2025 - SuperXP 2025. [link]
 
05/07/2025 - Nova fase de postagens no blog. [link]
 
08/08/2025 - Publicado o volume IV de Vivi Morbi - Alomorfia. [link]
 
18/08/2025 - Entra no ar meu novo website com ares de anos 90. [link]

 

Boas festas! Desenho a todos muitas bênçãos!! 

Fiquei sabendo da existência de William Blake através do livro "O Dragão Vermelho" de William Thomas Harris. O enredo dá segmento ...


Fiquei sabendo da existência de William Blake através do livro "O Dragão Vermelho" de William Thomas Harris. O enredo dá segmento à história de "O Silêncio dos Inocentes", obra mais conhecida pela adaptação cinematográfica. Eu aos 15 anos. Embora tão jovem, recém saído da puberdade, isso não me impediu de apreciar profundamente a leitura. Foram muitos picos de euforia e entusiasmo percorrendo aquelas páginas.
 
Quem leu O Dragão Vermelho sabe o papel de Blake dentro da trama. A sua "participação" é um dos elementos principais. E também, quem sabe em linhas gerais do tratado em O Silêncio dos Inocentes, será capaz de pressupor quais as circunstâncias. A curiosidade por conhecer Blake, como poeta e artista visual, perdurou por décadas. Era muito difícil encontrar publicações dele por aí. Quando havia, era inviável a um jovem desempregado obter.

O esboço digital foi executado com brush de pencil.

Em 2005 pude (cheio de alegria) comprar online, "Canções da Inocência e Canções da Experiência" - edição comentada pela Disal Editora. Um presente auto congratulado para o natal daquele ano. Encontrei no volume o singelo e o sutil. Muito diferente de minhas expectativas como leitor. O impacto entre minhas referência sobre a obra, e suas menções na cultura pop, teve uma reação contrária ao esperado.

Artefinalizando digitalmente. Foram algumas horas.


Porém, após reler algumas vezes, percebi gradualmente impressões vigorosas. Junto aos comentários da edição, encontrei-me com Blake de verdade. Entendi as suas jogadas misteriosas com as palavras. Cada mecanismo para conduzir a leitura. Principalmente porque o livro mantém os escritos originais em inglês, amplificando a experiência poderosamente. Tanto, que hoje resolvi ilustrar a segunda estrofe do poema "Noite", em Canções da Inocência. Segue a transcrição:
 
Night

Farewell, green fields and happy groves,
Where flocks have took delight.
Where lambs have nibbled silent moves
The feet of angels bright;
Unseen they pour blessing
And joy without ceasing,
On each bud and blossom,
And each sleeping bosom.

Resultado final. Cores e sombras.

Acontece uma autoanálise nesse trecho. Tenho percepções visuais. E coloquei no papel (dessa vez no suporte digital) as imagens segundo o experienciado. Não sei se haveria aprovação do autor, mas é o jeito de me expressar. Seria uma ambição verdadeiramente pretensiosa alcançar as visões de Blake como ele realmente tinha em sua rica imaginação. Mesmo assim, arrisco-me. Por gosto, por liberdade e prazer puro.
 
Quero finalizar com um pensamento anotado aqui num canto da mesa. O ser humano costuma julgar, trazer críticas mordazes aos demais. Eu e você fazemos isso, ainda repreendendo tais pensamentos. O homem precisa afirmar o seu lugar e poder, precisa de uma posição na vida através da qual tenha segurança, mesmo errando. Muitos recorrem à palavra "hipocrisia" à prática referida. Isso também é um julgamento. O homem é contraditório. E não estou defendendo nada nem ninguém, sou muito problemático com relações sociais. Ser contraditório, é humano...