11/02/2026 - Slice of Art - Homem Quieto

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Comunicando-me com o mundo de minha workstation Oniria.

Vou da minha cozinha para meu estúdio aos sábados à tarde. Na cozinha tenho um cafezinho, uma revista para ler e algo para colocar no estôma...

11/02/2026 - Slice of Art

 

Vou da minha cozinha para meu estúdio aos sábados à tarde. Na cozinha tenho um cafezinho, uma revista para ler e algo para colocar no estômago. No estúdio, a mesa de desenho, o display e meus materiais. Inspiro-me e parto para rabiscar. Essa terapia, reconhecida por muitos como hobby, traz-me saúde mental acompanhada de momentos bastante agradáveis. Os sábados são dias abençoados, em particular os chuvosos. Vivo esses momentos agora, já sendo um "senhor" da velha guarda.
 
Isso serve para arejar a mente, deixando a arte fluir e ventilar os miolos. Embora eu me concentre no processo e seja ele o protagonista, cada resultado satisfaz porque vejo as minhas ideias no papel. Folheio meus livros de referências para alimentar o repertório. Tenho muitos aqui. Folhear artbooks impulsiona a imaginação na hora de ir para a prancheta. Neles há grandes artistas, profissionais com a vida inteira dedicada à arte, demonstrando as suas habilidades e técnicas brilhantes.
Lápis solto. Estou me acostumando assim.
A mente não se alimenta apenas com imagens. Vou muito além do pictórico ao me colocar diante de uma folha em branco. Da poesia, literatura à música: tudo faz as engrenagens se moverem. A arte é presente em toda parte. Ela tem papel fundamental. Não podemos consumir entretenimento ou contemplar uma paisagem urbana sem a arte. Os veículos passam por nós dentro de arquiteturas magnificas, onde a população exibe seus vestuários cheios de personalidade.
Esse sketchbook da Dessin não para de me impressionar.
Os telefones em nossas mãos foram desenhados e eles exibem um universo digital mergulhado em projetos, layouts e percepções estéticas pensadas por um ou mais artistas. Habitamos um mundo amplo e profundo no qual qualquer percepção está pronta para identificar. Podemos distinguir uma a uma, cada criação em torno de nós, concebidas para a contemplação. Penso nas referências como uma matéria muito além da navegação no Pinterest ou em um prompt para a IA. Nossos sentidos captam e armazenam centenas de informações diariamente. Expressar isso é uma prática bastante intelectual.
 
Um exemplo claro do que digo, é a ilustração do post. Nela, vemos Vivi Morbi e Etrom em uma pose junto à já conhecida motocicleta "Vespa". Ao observar os primeiros esboços, percebi uma possível comparação com desenhos de dois artistas bem distintos. O Kazushi Hagiwara de "Bastard!" e "Flash Gordon" pelas mãos de Boris Vallejo. Um prompt rápido em uma IA pode trazer detalhes sobre ambos. Porém, minha atenção foi atraída justamente por eu não estar buscando uma releitura ou ter inspiração em lugar algum. Estava guardado no bunker de minha mente... pronto para se manifestar.
Resultado final. Fiquei contente.
Etrom é um personagem com o qual me envolverei mais e mais. Ele me faz ter boas recordações de outros tempos, quando eu fanzinava - e cometi alguns fiascos editoriais -, na metade para o final dos anos 1990. Era muito bom trabalhar com personagens em universos criados com referências bem pessoais. Sem "jornada de herói", estruturas de narrativas, etc. Lembro-me de ter como principal influência, na época, a Tank Girl de Alan Martin e Jamie Hewlett. Foram bons tempos e, de uma certa forma, estão se repetindo para mim (com todos os traumas superados). Já a Vivi, ela é uma querida e permanecerá nas suas aventuras. Observando com lentes mais precisas... até tenho uma galeria de personagens bem extensa. Mereço congratulações.