Homem Quieto: Caderno de Desenho

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Acrescentei um novo hábito ao meu cotidiano. Dentre os últimos meses do ano passado e a semana presente, carreguei na mochila alguns sketchb...

Acrescentei um novo hábito ao meu cotidiano. Dentre os últimos meses do ano passado e a semana presente, carreguei na mochila alguns sketchbooks de 14x21,5cm. Nada de folhas especiais e demais luxos, mas sim papel simples e boa encadernação. O hábito ao qual me refiro foi o uso quase diário dos cadernos. Mantive a constância nos dias úteis das semanas. Aos fins de semana, a regra são os projetos em quadrinhos. Reservo exclusivamente aos sábados o tempo mais prolongado em cima dos sketchbooks principais, onde as artes são melhor trabalhadas.
 
O realce sobre este experimento está no valor da persistência e da atenção. É ter de se concentrar todos os dias sobre o papel deixando as ideias fluírem, sejam quais forem os resultados. O uso do sketchbook menor também recebeu delimitações de tempo rigorosas: 15 minutos no meio da manhã e 15 minutos no meio da tarde. Quando iniciei, tentei a pausa após o almoço, mas preferi voltar aos intervalos citados. Complemento que, em alguns momentos, não me contentei com as execuções. Apesar disso, prossegui.
  
Dentro destas restrições, obtive mais fluência e agilidade, as ideias surgiam a todo instante. Observando por um certo prisma, a minha criatividade aguçou - nunca estive tão inspirado. O hábito era quase ritualístico: abrir o estojo, armar a pequena prancheta (um suporte para laptop de improviso) e ir para uma folha em branco. Desenhar e desenhar, explorar possibilidades. Um exercício o qual considero comparável ao ato de meditar. Através dele me permiti aplicar os aprendizados retidos ao longo dos anos.
 
A teoria, por si só, pode ser estéril caso não esteja aliada à prática. Fui bastante aplicado no desenho a partir da segunda metade da década passada. Só que eu o fazia - como já dito - somente aos sábados à tarde. De fato, com alguma regularidade. Mas obtive progressos satisfatórios, após os experimentos contínuos. Foram refinadas, no dia a dia, inúmeras peculiaridades ao meu traço - como as figuras humanas, os fetiches, as faces "vazias" femininas. Talvez tais avanços fossem adiados sem tal atitude. Essa mudança de ritmo incorporou aprimoramentos bastante valiosos às minhas produções principais.
 
Fechei o terceiro sketchbook menor, pela última vez, nessa semana. Olhei através da janela e deixei a mente um pouco "desocupada" - tanto nos 15 minutos da manhã, quanto nos 15 minutos da tarde. Optei por um curto período de reflexão - sem desenhar. Em breve retornarei, no entanto preciso de um "tempo". Não acho positivo tornar uma prática agradável, embora regular, em uma obrigação. Não há por que lhe retirar o brilho. Tenho fome de fazer arte e objetivos claros para mim. Porém, é necessário respirar para prosseguir.

Vou da minha cozinha para meu estúdio aos sábados à tarde. Na cozinha tenho um cafezinho, uma revista para ler e algo para colocar no estôma...

Vou da minha cozinha para meu estúdio aos sábados à tarde. Na cozinha tenho um cafezinho, uma revista para ler e algo para colocar no estômago. No estúdio, a mesa de desenho, o display e meus materiais. Inspiro-me e parto para rabiscar. Essa terapia, reconhecida por muitos como hobby, traz-me saúde mental acompanhada de momentos bastante agradáveis. Os sábados são dias abençoados, em particular os chuvosos. Vivo esses momentos agora, já sendo um "senhor" da velha guarda.
 
Isso serve para arejar a mente, deixando a arte fluir e ventilar os miolos. Embora eu me concentre no processo e seja ele o protagonista, cada resultado satisfaz porque vejo as minhas ideias no papel. Folheio meus livros de referências para alimentar o repertório. Tenho muitos aqui. Folhear artbooks impulsiona a imaginação na hora de ir para a prancheta. Neles há grandes artistas, profissionais com a vida inteira dedicada à arte, demonstrando as suas habilidades e técnicas brilhantes.
Lápis solto. Estou me acostumando assim.
A mente não se alimenta apenas com imagens. Vou muito além do pictórico ao me colocar diante de uma folha em branco. Da poesia, literatura à música: tudo faz as engrenagens se moverem. A arte é presente em toda parte. Ela tem papel fundamental. Não podemos consumir entretenimento ou contemplar uma paisagem urbana sem a arte. Os veículos passam por nós dentro de arquiteturas magnificas, onde a população exibe seus vestuários cheios de personalidade.
Esse sketchbook da Dessin não para de me impressionar.
Os telefones em nossas mãos foram desenhados e eles exibem um universo digital mergulhado em projetos, layouts e percepções estéticas pensadas por um ou mais artistas. Habitamos um mundo amplo e profundo no qual qualquer percepção está pronta para identificar. Podemos distinguir uma a uma, cada criação em torno de nós, concebidas para a contemplação. Penso nas referências como uma matéria muito além da navegação no Pinterest ou em um prompt para a IA. Nossos sentidos captam e armazenam centenas de informações diariamente. Expressar isso é uma prática bastante intelectual.
 
Um exemplo claro do que digo, é a ilustração do post. Nela, vemos Vivi Morbi e Etrom em uma pose junto à já conhecida motocicleta "Vespa". Ao observar os primeiros esboços, percebi uma possível comparação com desenhos de dois artistas bem distintos. O Kazushi Hagiwara de "Bastard!" e "Flash Gordon" pelas mãos de Boris Vallejo. Um prompt rápido em uma IA pode trazer detalhes sobre ambos. Porém, minha atenção foi atraída justamente por eu não estar buscando uma releitura ou ter inspiração em lugar algum. Estava guardado no bunker de minha mente... pronto para se manifestar.
Resultado final. Fiquei contente.
Etrom é um personagem com o qual me envolverei mais e mais. Ele me faz ter boas recordações de outros tempos, quando eu fanzinava - e cometi alguns fiascos editoriais -, na metade para o final dos anos 1990. Era muito bom trabalhar com personagens em universos criados com referências bem pessoais. Sem "jornada de herói", estruturas de narrativas, etc. Lembro-me de ter como principal influência, na época, a Tank Girl de Alan Martin e Jamie Hewlett. Foram bons tempos e, de uma certa forma, estão se repetindo para mim (com todos os traumas superados). Já a Vivi, ela é uma querida e permanecerá nas suas aventuras. Observando com lentes mais precisas... até tenho uma galeria de personagens bem extensa. Mereço congratulações.

Nos meus afazeres de início de ano aqui na Oniria (meu estúdio), achei por bem colocar dentre as prioridades as atividades no blog. Da pranc...

Nos meus afazeres de início de ano aqui na Oniria (meu estúdio), achei por bem colocar dentre as prioridades as atividades no blog. Da prancheta vim até a minha workstation de edição para o post de partida de 2026. Claro, trazendo para cá uma nova página de meu sketchbook, resultante de uma tarde de sábado após um delicioso café.
 
"The Ultimate Sin" é o quarto álbum do saudoso Ozzy Osbourne, ex-vocalista da lendária banda Black Sabbath e uma figura mitológica da música e do Rock. Merecidamente, Ozzy é reconhecido por sua vida e obra. Poder, vitalidade e irreverência marcaram a trajetória do ídolo. Tenho, em minha coleção de CDs, algo do legado do artista na carreira solo. Um recorte que vai de Blizzard of Ozz, até No More Tears. Por causa da admiração às várias facetas de Ozzy, resolvi trazer uma releitura da capa de um disco tocado muitas vezes aqui em Oniria.

A obra surgindo no meu estilo e com meus personagens.

Sobre até onde conheço a carreira de Ozzy, ele foi acompanhado por grandes músicos ao longo de sua discografia, resultando em uma sequência irretocável de discos. Ou seja: teve os cuidados merecidos e à altura de seu talento e valor como personalidade e vocalista. Em "The Ultimate Sin", temos um trabalho primoroso da primeira à última faixa, sem ressalvas. "The Shot in the Dark", canção responsável por finalizar volume, está dentre as melhores de minha vida.

O Sketchbook é o aliado do artista.

O poder da música de Ozzy ultrapassa fronteiras e nos leva a estados de grande satisfação. Para mim, significados insubstituíveis a manter comigo eternamente. Eu explico. Durante uma de minhas piores crises, reergui-me ao som de The Shot in the Dark. Ela se repetia na playlist no Winamp de meu computador... Tive a compreensão e apoio de meu pai. Tive os remédios. E, aliados a eles, os papos no mIRC e MSN com amigos os quais nunca vi os rostos e que os identificava apenas por seus nicknames. Tudo decisivo para tornar possível a minha recuperação prontamente, após alguns meses de sofrimento.
 
Embora eu seja grato por tudo isso, vamos falar um pouco mais do presente momento. Mostro aqui, ao visitante de meu blog, a releitura da capa de The Ultimate Sin, originalmente criada pelo ilustrador de fantasia e Scifi, Boris Vallejo. Experimento novas técnicas de pintura e, com um certo egocentrismo, substituo as figuras da arte original por meus personagens: Vivi Morbi e Etrom. Ambos de minha HQ Vivi Morbi, publicada digitalmente.

No ano passado perdemos Ozzy poucas semanas após seu último show. Assisti a despedida com grande satisfação em ver um homem liberto das limitações do mundo, corajoso e forte. Mesmo não sendo um exemplo a ser seguido por sua vida pessoal, Ozzy foi um guerreiro até o último instante. Seu trabalho fez o mundo conhecer um grande poder criativo e ficar face à inovações fatídicas na história da música. O grande "Príncipe das Trevas" participou de um fenômeno, foi capaz ajudar a trazer ao mundo o gênero musical que tanto adoro: o Metal.

A revista Heavy Metal estreou em 1977, na França e posteriormente surgiu o licenciamento para publicação nos EUA, chegando ao Brasil em 1995...

A revista Heavy Metal estreou em 1977, na França e posteriormente surgiu o licenciamento para publicação nos EUA, chegando ao Brasil em 1995. Estive com algumas edições nacionais em mãos, adquiridas nos sebos da cidade. Simon Bisley, Milo Manara, Moebius dentre outros grandes nomes fizeram parte da galeria da Heavy Metal. Era uma revista de alto nível. As temáticas da época se caso estivessem sendo veiculadas hoje, talvez gerariam boicotes e críticas por parte de pessoas sensíveis na internet. Compreensível, passaram-se décadas. Não acompanhei como se manteve a linha editorial após os anos 90... 
Algumas escolhas foram abandonadas da fase do esboço.

O nome "Heavy Metal" já diz um pouco de seu conteúdo. Fantasia, horror e sci-fi, dentre violência, comportamentos perigosos e erotismos. As capas traziam imagens fortes e impactantes. Neste post, tento colocar a minha personagem Vivi Morbi em uma situação semelhante àqueles temas... está feito, ao meu modo, satisfatoriamente. Ainda sobre a revista, ela foi derivativa do movimento musical do seu momento. A ousadia e a rebelião estavam em alta dentre os jovens. Transgredir era obter uma boa reputação entre as tribos urbanas e nas noites. O Heavy Metal trazia o poder da desobediência e no desafio à moral: uma forma de pôr abaixo qualquer agente repressor.

Já como gênero musical, há quem pense no Heavy Metal como um estilo capaz de pôr em jogo o bem-estar de pessoas com problemas psiquiátricos. Isso devido à sua sonoridade e as suas letras... tudo levado ao extremo, ao desequilíbrio. Para mim, o oposto. O Heavy Metal (e seus subgêneros) me faz bem. O Metal Extremo e sua estética me causam familiaridade, identificação e prazer. Escolho muito bem minhas audições e se eu sentisse qualquer problemática, pararia imediatamente. Só tenho muita empolgação e deleitosas apreciações.

Me dei muito bem com esse sketchbook. 

As drogas, como um todo, estão no lado de fora de minha vida. Tenho aversão, à exceção de meus remédios para a saúde mental. O carinho da família e os cuidados de meu médico provém meus melhores dias. Mesmo com a vida ligada ao Heavy Metal e ao Rock, nos quais as atitudes e lemas são ousados... Sou pura calmaria. Dispenso excessos, ficando apenas com a música.

Opto apenas por ser correto. Ser justo. Honesto. A tranquilidade da vida pacata tem importância preferencial à qualquer outro ímpeto. Encontro a aventura nas criações artísticas. Não quero agito, não quero muito falatório, nem badalação. O encontro comigo mesmo basta. Tenho o afeto familiar, dos amigos e do Tander, meu animal de estimação. A adoração à autoestima e à arte nutrem meu ser como uma força vital externa e interna. Sou confiante assim. Embora frágil, também tenho uma fortaleza dentro de mim.

Na finalização, muitos improvisos.
Para não fazer minha imagem como a de um "santo", revelo já ter sido fumante e ter usado muito álcool… hoje os vejo como hábitos questionáveis e incompatíveis comigo. Porém, tenho o café... Aos sábados à tarde, costumo tomar café ir até minha prancheta para sessões de desenho. Antes do desenho, sempre o café. Para mim, uma bebida sagrada e saborosa. Por tê-lo deste modo, não faço abuso do café. O seu efeito e sabor são para momentos especiais, para a fagulha da criatividade e o relaxamento... às vezes, para uma boa conversa.

Testemunhei meu desenho eclodir de um ovo evolutivo e se revelar coberto por sua plumagem esparsa, completamente vulnerável e faminto - quan...



Testemunhei meu desenho eclodir de um ovo evolutivo e se revelar coberto por sua plumagem esparsa, completamente vulnerável e faminto - quando lhe ofereci o calor de meu acolhimento. Laborei nele zelosamente, esperando um dia o ver se tornar uma elegante e astuta ave negra - tão negra quanto o nanquim o qual hoje lhe fornece forma. Vendo-o agora, alçando seus voos diante de tantos olhares curiosos (e às vezes admiradores), sinto-me orgulhosamente recompensado por progredir e pela disposição à perseverança.
 
Como assim o descrevo, o trabalho alcançou valor, adquiriu importância e foi além: transformou-se em um produto possível de ser oferecido como um presente. Presentear e ser presenteado me causa desconforto. Explicar isso coerentemente é difícil. Para mim, esse tipo de envolvimento me faz sentir encabulado. Em contrapartida, vejo a minha Arte como o presente mais sincero que eu possa oferecer. Veja: tais sentimentos reforçam as minhas convicções de meus pensamentos se voltarem mais à criação e serem menos lógicos. 
Na fase do esboço é preciso mão leve.
Foi como resultado desses pensamentos divagantes, o surgimento de uma leitora imaginária à qual quero presentear. Ela é hipoteticamente fã de minha HQ Vivi Morbi e cujo perfil fictício se incluiria: gostar de gatos, tatuagens old school, teorias conspiratórias sobre alienígenas e ter como filme predileto "A Fantástica Fábrica de Chocolates". Para mim faz sentido, então... seguimos assim... a lógica está suspensa, por enquanto. Descrições adicionais são desnecessárias - a ilustração fala por si.
  
Em uma análise rápida, há evidências sobre como eu surpreenderia singelamente a minha "leitora". Entendendo cada parte da ilustração chegamos ao todo. Concebo, assim, uma imagem e suas alegorias. Executo cada detalhe utilizando de algo ao que me refiro como "Arte Gráfica"... a rigor, o ato de "grafar". A grafia sugere formas e conceitos, alimentando as percepções e os pensamentos.
Meu sketchbook segue recebendo nanquim semanalmente.

Ao vermos a pegada de um tênis em um chão de terra, imediatamente associamos ao calçado. Saberemos aproximadamente o número comparando aos nossos pés. Se a marca do fabricante estiver presente, poderemos supor a suas campanhas publicitárias e estimar até mesmo o valor. Embora nas palavras desse post, e nos traçados de minha ilustração, não falemos de uma linha de produção, a analogia acrescenta bastante sobre as minhas intenções. Neste fazer lúdico, cubro a folha em branco, fazendo uso do improviso, do intencionalmente espontâneo e intuitivo e em suas escolhas mais honestas.
 
Sou o ator subindo ao palco e acrescentando falas ao script (enquanto escrevo) e faço tal o jazzista com o instrumento musical em suas mãos (enquanto desenho). Tudo ao meu modo, valendo-me da intuição inclinada ao dionisíaco e calando temporariamente os hábitos apolíneos aos quais normalmente sigo. Convertendo meu "modus operantis" habitual, trago na Arte a permissão em me contradizer. Aqui deposito justamente a quebra de qualquer regra. Exato como minha leitora provavelmente apreciaria e daria um sorriso aprovador.

Desenho finalizado.

E a quebra de regras é bem-vinda, ela traz emoções de difícil explicação. Houve um evento, em que expus, onde um rapaz pegou uma das prints de minha mesa enquanto eu "não via" e apenas a colocou em uma bolsa e saiu sorrateiramente com a sua apropriação indébita. Inicialmente fiquei furioso, porém o sentimento foi substituído em poucos minutos - pensei melhor e me senti envaidecido. Oras, meu desenho é assim tão valioso ao ponto de alguém querer roubar? Foi o que me pareceu naquele momento.

Trago, nesse post, a minha versão de um motivo abordado por muitos artistas dos movimentos Renascentista e do Romantismo. Pinturas nas quais...

Trago, nesse post, a minha versão de um motivo abordado por muitos artistas dos movimentos Renascentista e do Romantismo. Pinturas nas quais vemos uma bela jovem nos braços da figura de um esqueleto humano, representação arquetípica da Morte. Recebendo o mesmo título: "A Morte e a Donzela", tais obras exibem exatamente o que descrevem.
  
As maiores dificuldades estiveram nos detalhes. Ainda estou me acostumando ao meu novo par de óculos, sendo necessário me afastar e aproximar do papel seguidas vezes para revisar proporções e espaços. As lentes estão certas, vejo com nitidez, mas, às vezes, ainda há distorções relacionadas aos tamanhos dos elementos. O desconforto já foi mais intenso, entretanto está atenuando em direção da adaptação definitiva aos costumes dos olhos. 

Lápis do desenho.

Claramente, essa peça se mostra erótica e funesta ao mesmo tempo (Eros e Tanatos de Freud), temas relacionados pelos mistérios da existência e da inexistência. Os pensamentos me colocaram em um "Memento Mori" durante os cuidados em torno da finalização. Assim, caí em saudades, memórias de tempos do frescor da juventude, além de uma profunda e introspectiva reflexão sobre a finitude.
 
Aos vinte e quatro anos, vivia grande ansiedade por um dia publicar um quadrinho e o expor em eventos. Vontade realizada após os quarenta. Mas consegui. Mesmo tardando, tornei possível meu sonho maior, ficando quites com aquela versão passada de mim. Meus conceitos holísticos em torno da Arte contemplam tudo isso: as realizações, os resultados e o processo. A Arte mantém a saúde mental, acompanhada do auto aprimoramento... sobretudo minha relação comigo mesmo e a adoração à autoestima.

Sketchook companheiro dos Sábados à tarde.
Mas, muitas pessoas intensamente ligadas à Arte se encontram ou estiveram em mal-estar e agonias existenciais. Li, nessa semana em uma revista, sobre a escritora Virginia Woolf ter se jogado em um rio com dezenas de pedras nos bolsos, em um ato derradeiro. A Arte estava presente, mas a dose desse remédio fora insuficiente. O drama era pesado demais e as dores muito insuportáveis. Todos vivemos nossas agruras e, para alguns, elas são maiores do que podem sentir... Ainda assim, devemos lembrar sobre a beleza da vida, dos prazeres que dela advêm. Pois bem, esses são os temas desse desenho em última análise...
Resultado Final.
Mas, alegremo-nos com as delícias de viver com a Arte - e para deixar o post mais leve, vamos falar de algo menos sério. Como damos importância a coisas sem real valor, não é? Houve um dia em que fiquei emocionado por ter recebido oitenta e poucos likes em um post no instagram. E o que significa isso, afinal? Nada senão que oitenta pessoas apertaram um borrão de luz em uma tela de celular. É de dar risada, concorda?

A mochila é o acessório que jamais deixo de levar comigo. Para qualquer lugar que eu vá, estou com meus gadgats, remédios, itens de higiene ...

A mochila é o acessório que jamais deixo de levar comigo. Para qualquer lugar que eu vá, estou com meus gadgats, remédios, itens de higiene pessoal e os utensílios de desenho. Tenho nela o principal para rabiscar assim que tiver uma oportunidade. Fiz um post bem antigo sobre, e agora vou dar uma atualizada. Ainda que sem grandes novidades, há o que mostrar e principalmente, o interessante fato de como houve uma redução de materiais, permanecendo apenas o fundamental.
 
Ferramentas de desenho portáveis são essenciais para um desenhista que sai a campo e sabe que muitas das vezes terá um momento a ser aproveitado. Levar consigo um sketchbook, como um dos que já testei e falei por aqui, por exemplo, é uma boa
para rascunhar aquelas ideias legais que surgem quando se menos espera. Portanto, canetas, lápis e outros já servem para se fazer alguma coisa. Então a seguir, está o meu inventário básico.

 
Da esquerda para direita, iniciamos com minha lapiseira Pentel P205. Veja o post especial sobre minha coleção delas aqui no blog, está bem completo. A seguir, em cima, uma borracha também da Pentel. A baixo, e da mesma marca, um porta grafites 0.5. Gosto dos grafites 2B, mas no caso da foto, estou usando um 3B, já que era o único disponível na papelaria da última vez quando estive por lá.
 
Depois vem a minha querida brushpen japinha da Pentel. Também fiz um post exclusivo dessa maravilha, a qual tenho uma estima extra. É uma ferramenta excelente para lineart, por ter uma ponta de pincel, um corpo de caneta e também por ser recarregável.
 
Em seguida, uma caneta Copic Ciao Cool Gray C2. Falei algumas vezes sobre Copics aqui no blog. Pretendo, assim que essa carga terminar, passar a recarregar ela com o Neutral Gray N2, pois considero mais interessante o resultado dessa outra cor.
 
O canetão preto, Pilot 400 é um dos meus prediletos. Pretão permanente e bem escuro para grande áreas de preenchimentos. Também muito legal para fazer efeitos de rabiscos grossos com sua ponta chanfrada.
  
Completando tudo vem as duas canetas. Uma 0.5 da UniPin e a caneta esferográfica de quatro cores. Com a UniPin eu faço detalhes das linearts e locais dos desenhos que requerem mais precisão. Já a caneta esferográfica é para esboços soltos e, também, para escrever.

Os dois itens finais são meu estojo e o tão adorado sketchbook. Com o estojo de dois compartimentos há a organização dos materiais. No sketchbook é onde a diversão acontece. Esse é da marca Tilibra, com o tamanho A5.
 
Assim apresentei meu kit para o qual recorro a qualquer momento de inspiração quando fora de minha casa. Nos eventos, costumo carregar bem mais coisas, pois para mim é muito necessário caso surja um pedido ou eu tenha que me distrair com algo mais complexo. Daí seria um outro post inteiro, dispensável neste momento... para o futuro, talvez.

Há uma vasta gama de possibilidades ao desenharmos com a ausência das cores e com a soma de todas elas: o preto e o branco. É claro que em t...

Há uma vasta gama de possibilidades ao desenharmos com a ausência das cores e com a soma de todas elas: o preto e o branco. É claro que em torno das cores, orbitam fundamentos científicos diversos, os quais comprovam o quanto é possível atingir sensorialmente quando exploramos este campo de estudos. A História da Arte nos mostra que a influência das cores - presentes desde a propaganda, passando pelo entretenimento, até os museus - atrai o interesse e encantamento de multidões, não importando quais as suas origens. Entretanto, quando há apenas duas possibilidades - o minimalismo de dois elementos -, o assunto também passa a ser igualmente interessante e profundo.

O Yin e o Yang, a luz e a sombra, o preenchimento e a ausência.

Sempre gostei da arte monocromática, observando-a tanto em obras de autores como MC Echer, quanto nas páginas das Histórias em Quadrinhos (Conan, Dylan Dog e Hellboy, etc). As múltiplas possibilidades do preto sobre o branco trazem elegância e, segundo as habilidades do Artista, leituras de imagens extremamente agradáveis aos nossos olhos.

O alto contraste e as projeções rígidas em preto no Desenho também necessitam de muita atenção e conhecimentos. Essas técnicas causam estímulos marcantes ao observador. Do lado de quem executa a Arte, os usuários do nanquim puro - às vezes aliado à tinta branca - transformam claro e escuro em efeitos de subtrações, tridimensionalidades, profundidades e volumes.

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Já estou aprendendo, observando e tentando chegar lá. Há muito a ser estudado ainda e esses desafios são sempre intensas motivações, cuja tenacidade exigida é de onde retiro o entusiasmo em absorver ideias. A cada dia colho um pouco de meus esforços e o processo ensina, mostra possibilidades e me faz querer melhorar. Essa disposição pela constante produção traz muita energia e torna ainda mais deleitoso o meu caminhar ao longo da vida.

Durante os meses passados, coloquei em prática algumas tentativas com a arte monocromática, usando tinta nanquim e recursos digitais. O resultado foi um fanzine de vinte páginas intitulado “Black Ink Girls”. Um nome já bem sugestivo se considerarmos o teor deste post. Neste volume virtual (em PDF), faço uma coletânea dos meus melhores resultados iniciais, trazendo concepções com a estética de luz e sombra sem tons intermediários. Espero que o leitor goste.

Materiais em mãos, um ajuste na cadeira, nos aproximamos da prancheta ou da mesa… E... então, estamos diante de uma folha em branco de um sk...

Materiais em mãos, um ajuste na cadeira, nos aproximamos da prancheta ou da mesa… E... então, estamos diante de uma folha em branco de um sketchbook. Aquele ânimo urgente de desenhar parece ter nos abandonado e, como em uma conversa entre estranhos, o assunto não surge. Vamos estragar uma folha? Não vou fazer uma Obra de Arte magnífica? Talvez, e do meu ponto de vista, são as últimas coisas a se considerar ao se usar um sketchbook. Colocar nele o que tivermos vontade é o que o torna um instrumento de tão ampla utilização.

Tenho minhas estratégias para lidar com esse momento tão peculiar. Há uma fonte inesgotável de personagens fictícios por aí, dos já desenhados antes, aos existentes só na imaginação - de outros autores e das nossas. Também talvez fotos de pessoas que conhecemos da mídia ou pessoalmente (nossos celulares estão apinhados de fotos). Há a possibilidade de utilizar o sketchbook para treinos e experimentações - que podem perfeitamente ir para uma rede social, ou serem mostrados ao pessoal em torno da mesa no shopping. Eu acho que podem sim, o critério é se divertir.

A Rainha das Trevas.

Desafiar-se é uma boa. O exercícios de concepção de personagens seguindo temas como cores, elementos e referenciais diversos possivelmente dará muito o que trabalhar e exercitar. Por exemplo: figuras humanas com características de frutas, animais, vestuários específicos e outras infinidades de motivos. As experimentações com materiais diversos também trarão resultados interessantes. Lápis de cor, aquarelas, Copics, nanquim etc... Todos são bem-vindos nas páginas de nossos cadernos.

Treinos também têm sua beleza.
Não aborte seus desenhos, não desista deles, ou os subestime. Há muitas maneiras de melhorar e transformar os erros em acertos. O legal é fazer de cada sketch, por mal executado que seja, merecedor de uma atenção com cuidado especial de ser finalizado mesmo com seus defeitos. Eu encho cada folha com vários rabiscos para que os desenhos feios realcem os melhores e o melhores valorizem os feios também. Devemos nos permitir o desenhar feio, torto, afinal o sketchbook é uma brincadeira. Levar ele a sério demais torna as coisas chatas.

Funkeira fazendo poses.

Todos os sábados à tarde, tomo meu café e após minhas obrigações, abro o sketchbook e passo momentos muito agradáveis. Na maioria das vezes, pego meu tablet, acesso o Pinterest e o que vier eu topo. Fotos, cenários, bichos, mecanismos… Vale tudo. E é essa a minha sugestão a todos com fome de fazer arte, de expressar e criar através do traço.

Então, já sabe. Tenha um compromisso com o seu sketchbook e busque as inspirações prediletas com tudo o que você tem vontade. Eu faço assim, pode ser que também funcione com você.

Antes de cair nas graças dos sketchbooks, meus rabiscos experimentais eram em folhas sulfites A3 avulsas. Esse engano me trouxe grandes ar...

Antes de cair nas graças dos sketchbooks, meus rabiscos experimentais eram em folhas sulfites A3 avulsas. Esse engano me trouxe grandes arrependimentos. O tempo passou com os treinamentos nessas folhas, e os resultados disso foram a desorganização, perda de noção de progresso e o acúmulo de material impossível de se manter dentro de casa.

Recentemente, antes de publicar meu Artbook Vol 1 - disponível para download em algum canto deste blog -, fui obrigado a descartar quilos de papel. Não havia como escanear tudo (tive que selecionar muito criteriosamente), portanto entreguei a papelada ao caminhão do lixo, que seguiu seu curso pela cidade carregando bolsas de desenhos meus, até o seu destino, que é nada menos do que a destruição total e definitiva de muitas ideias e rabiscos... junto às possibilidades diversas de aproveitamento que talvez alguns deles pudessem fornecer.

De alguns anos para cá, incorporei os sketchbooks ao meu cotidiano com bastante entusiasmo, algo que já falei aqui e que reafirmo com a veemência mais absoluta. Felizmente, com a Papelaria Fátima aqui ao meu alcance no centro da cidade, tornando as aquisições dos itens imediatas e dispensando a taxação dos Correios, comecei a lidar com esse material tão útil e vantajoso.

Acho que o leitor concorda comigo que usar um sketchbook é uma atividade gostosa e organizada, simples e capaz de despertar a criatividade e a vontade de desenhar no dia a dia. Ser artista do traço e não ter um sketchbook é um tremendo sacrilégio artístico, deveria ser crime e passível de multa. Brincadeiras à parte, é importante registrar progressos, anotar, intuir e tudo mais que a brincadeira tem a oferecer. Já tive alguns sketchbooks e a proposta de hoje é falar um pouco deles sob meus pontos de vista.

Meu primeiro caderno de desenho foi um A5 da Canson. Aos meus olhos, parecia ser um material perfeito. Naquele tempo, sim, era a melhor opção. Capa dura, encadernação resistente e um ótimo papel. Eu nunca havia visto um caderno de desenho com papel 150gr. Mas algo me impediu de continuar usando. Foi que a partir de 20% de folhas desenhadas, a encadernação dificultava o folhear. Eu explico: com a lombada quadrada as páginas precisam de mais pressão para serem passadas, ficando salientes e difíceis de manter retas. Um problemão que espero a Canson já ter se dado conta.
  

O Sketchbook seguinte foi um A4 da Canson. Mesmas características do anterior, mas grandão pacas. Ele herdou os mesmos problemas do irmão menor. Acho que a Canson já deve ter recebido alguns e-mails sobre a qualidade de seus produtos. Foi nesse cadernão que peguei gosto de vez com os sketchbooks. Porque eu ultrapassei as problemáticas e consegui ir além. Não o acabei, porém tenho vontade de voltar a ele qualquer hora para aproveitar os espaços em branco. Fala-se bastante de sustentabilidade e tenho pensado neste sentido. 

A  Canson lançou também uma versão do A4 com as vantagens da encadernação em espiral. Quando vi, caí dentro. Um produto maravilhoso. Se o de lombada quadrada A4 me ofereceu boas experiências, elas se multiplicaram com esse formato tão legal de se manusear. Coloquei a mão na massa valendo... todos os concepts, de minha HQ, Noite Escura, foram feitos em um desses. A encadernação em espiral se transformou em minha preferência definitiva. Ter um sketchbook confortável e de fácil manuseio faz um bem danado. Também há versões em outros tamanhos.
 
Ano passado, propus-me a pegar um sketchbook novo, tirar do plástico e... terminá-lo, com o objetivo de postar mais no instagram. Foi quando adquiri um Academie da Tillibra. Ele tem espiral (como prefiro) com uma proteção de pano, 70 folhas, capa plástica e vem com compartimentos para guardar anexos (o que nunca usei). O papel é semelhante ao da Canson. A experiência com ele foi excelente, saboreei esse sketchbook com grande apetite e foi bem digerido.
 
Mais recentemente, descobri outro modelo de Academie da Tillibra que é superior por ter um papel mais branco e liso, sem a texturinha dos demais. Gostei bastante mesmo da qualidade do papel. São 50 folhas de 150gr, também em espiral, capa dura e se dá muito bem com marcadores (quem me acompanha sabe que os utilizo). Interessante saber que, embora tenha qualidade que se destaca, esse esketchbook é bem mais barato... tem o custo de menos da metade dos da Canson e do primeiro Academie Tillibra.

Essas são boas marcas, bons de usar, etc. No entanto, não há necessidade de super materiais para se fazer arte. Ferramentas baratas e artesanais também valem a pena. Já vi artistas desenvolvendo peças sensacionais com material escolar. Sobre sketchbooks, o importante é usar os cadernos e isso independe de marcas, ou do que é feito. Praticar é que é o essencial.


Quando não está no campeonato, o jogador bate a sua bola, treina pênalti, faz embaixadinhas. Ou seja, entretém-se com sua ferramenta - só ...

Quando não está no campeonato, o jogador bate a sua bola, treina pênalti, faz embaixadinhas.
Ou seja, entretém-se com sua ferramenta - só ele e ela: o jogador e a sua paixão. Há dois brinquedos que nos são apresentados logo no início da vida que independem de explicações: a bola e o lápis.

Se o caminho do lápis agradar mais, não é do referido jogador que falamos, mas sim do artista/desenhista - mesmo o amante da arte por hobby ou diversão -, que pratica entre uma obra e outra com o seu brinquedo mais divertido: o sketchbook.
 
Uns pela metade, outros terminados. Todos muito divertidos.
Durou um pouco até eu entender a importância do exercício oferecido pelos cadernos de desenho. Foi quando me apeguei ao primeiro deles e o utilizei com a frequência devida, que então uma lâmpada acendeu sobre minha cabeça. Acontece que com o caderninho por perto há sempre uma razão para começar algo que se intua, visualize, anote, rabisque - hábitos imprescindíveis no desenvolvimento de articulação de ideias e soluções gráficas.

Nos sketchbooks aplica-se estudos que vão de vestuários, desenhos gestuais, anatomia a esboços aleatórios, os quais podem vir a se tornarem algo com um acabamento melhor e, quem sabe, parte de uma bela obra mais elaborada. E o desenhista se mantém treinado sempre, página após página, um desenho seguido do outro ao longo de seu desenvolvimento artístico - servindo também como registro de sua evolução.

 
Podendo ser levado a qualquer lugar e ser utilizado sem energia elétrica - se considerarmos as fontes naturais de luz - é um companheiro que traz divertimento e utilidade. Um caderno de desenho bem aproveitado pode fazer de seu dono um marombado do traço, tendo muito mais fluidez e articulação na hora de encontrar suas soluções, uma vez que terá experiência ampliada pela prática.
  
 
Não se faz necessário um caderno caro, com folhas "especiais". O Sketchbook é uma área de experimentação lúdica, serve para um momento de praticar a arte de maneira despreocupada e intuitiva. A qualidade do material de desenho acompanha as possibilidades do artista em seu momento. Com uma rápida pesquisa na internet, encontra-se algumas opções baratas que oferecem experiências muito boas. Ou tutoriais sobre como montar um sketchbook você mesmo.

E você tem minha palavra: não há nada como uma xícara de café e um sketchbook em uma tarde de sábado no inverno.