Em "O Livro de Ouro da Mitologia - Histórias de Deuses e Heróis" (Thomas Bulfinch - Ed. Agir [2015]) é possível obter informações ...
Em "O Livro de Ouro da Mitologia - Histórias de Deuses e Heróis" (Thomas Bulfinch - Ed. Agir [2015]) é possível obter informações gerais sobre mitologias orientais. Porém, não chega ao milenar Xintoísmo japonês. Em "Para Entender as Religiões" (Ed.: Ática [2000]) o tema é arranhado em um pouco de suas tradições, aspectos visuais, divindades e simbologias - uma porta de boas-vindas e introdução aos ligeiramente curiosos.
Na leitura estafante de "História do Japão - Origem, Desenvolvimento e
Tradição de um País Milenar" (ACES [1995]) nos deparamos com uma linha do tempo
desde as civilizações japonesas pré-históricas, aos acontecimentos
políticos, das relações diplomáticas às conquistas militares do arquipélago asiático. Ainda assim, estranhamente não coloca atenção significativa no Xintoísmo.
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| Esboço. Esse foi mais detalhado. |
Depreendi, com isso, da escassez de fontes informativas confiáveis deste
assunto. Há mais a ser lido sobre através da Wikipedia. E foi antes de
ela ser alimentada o suficiente, que aconteceu o meu aclive de
interesse pelo Xinto entre 2000 e 2003 (após isso, deixei as pesquisas
temporariamente à parte).
Os olhos estreitos de Amaterasu me acompanharam até o momento. Na cabeceira de minha cama há um grande quadro da sua gravura clássica, no momento de se revelar para fora da caverna, segundo as narrativas conhecidas. Trouxe-a para cá quando me mudei. Vejo nela um poder imponente, vivo e radiante. Há tempos me desvio de ser um adorador de coisa alguma ou mesmo um religioso pleno de fervor. Acredito, já a essa altura, estar fora de tal risco. Porém, admito encontrar no Xintoísmo uma relativa identificação.
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| No sketchbook, as cores. |
Vejo-o como uma filosofia ou um jeito peculiar de encarar a realidade. Sou inclinado a acreditar nos espíritos de cada elemento, de cada ser sobre a Terra e na união de um todo com a Natureza. Nada de dogmas e exigências descabidas ou preceitos coercitivos. Apenas a liberdade de ser grato à vida simples, honesta e sagrada. E para completar, a belíssima mitologia Xinto. Uma história na qual podemos enxergar elementos humanos em suas deidades. E a nós, como espíritos sagrados, únicos e parte de um Universo misterioso.
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| Resultado final. Não precisou retoques digitais. |
O Xintoísmo coexiste com todas as crenças. Não há rivalidades ou intenções hegemônicas sobre quaisquer outros grupos. Há, sim, acolhimento e respeito às individualidades. Mas as luzes do sol nascente também projetam sombras: nem tudo são flores de cerejeira. Há a supostas descendências divinas por parte de imperadores e famílias reais japonesas. Grupos sociais politicamente favorecidos, à despeito dos rituais de limpeza nos templos perfumados por incensos e nos decorados altares domésticos. Os turistas boquiabertos com as belezas das artes Xinto, talvez não percebam as presenças dos espíritos perversos transitando nos arredores. Pois há o mal, sim. Há o mal como em tudo entre o céu e a terra.