10/04/2026 - Oscar Wilde - Homem Quieto

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Na capa de estreia da revista The New Yorker, lançada há (mais ou menos) cem anos, há a ilustração cartunesca retratando um dândi. Estava al...

10/04/2026 - Oscar Wilde

 
Na capa de estreia da revista The New Yorker, lançada há (mais ou menos) cem anos, há a ilustração cartunesca retratando um dândi. Estava ali uma caricatura clichê deslocada de sua essência. A figura afetada, almofadinha, examinava uma borboleta através de um monóculo. A sua aparência é uma fachada, uma estética ilusória de quem só quer os holofotes para si. Naquele caso, a imagem do dândi fora convertida na de um poseur - a superficialidade de uma encenação: imagens, personalidades e raciocínios nada genuínos. Em contraste evidente ao mais conhecido dândi da literatura do século XIX: o irlandês Oscar Wilde.
 
Napoleon Sarony, renomado fotógrafo e suas lentes, eternizou o semblante de Oscar Wilde. Na clássica foto do dândi, vemos-no com a juventude em flor e a mente aguçada desafiando a moral daquele momento. Essa é a melhor imagem para recordarmos dele e de sua idiossincrasia tão peculiar. Como escritor, sabia chocar. Um habilidoso aforista, comumente reconhecido por seus paradoxos (frases unindo divergências e fazendo todo sentido). Tais pérolas, por vezes, revoltavam opiniões, pois eram provocativas e, ao mesmo tempo, concebidas com genialidade notável.
Havia um esboço por trás dessa camada. Mas vou deixar só o mais refinado aqui.

Há muitas das publicações de Oscar Wilde - meu escritor de cabeceira - nas estantes de Oniria (o ambiente onde escrevo e desenho). Meu respeito à obra de Wilde é pleno e a sua personalidade me é objeto de culto. Sentia-me devendo em demonstrar gratidão aos pensamentos surgidos no riscar de meus contatos com a literatura. Para tanto, trouxe o post de hoje: a minha sincera reverência a Wilde em um desenho digital. Coloquei nele muito sentimento e o comprometimento de o executar bem - podemos estar seguros disso. O desenho veio com muita dedicação aos detalhes e capricho.

A arte final foi mais minuciosa do que parece.
Nele, estamos diante do túmulo silente de Wilde sendo visitado por Etrom e Cláudia, de minha HQ autoral, Vivi Morbi, publicado no Fliptru. Fazer um retrato inspirado na foto tirada pelo Sarony pecaria pela obviedade e criação mínima. Preferi agraciar Wilde não pelo auge físico, mas sim ao seu espírito e as lembranças trazidas por cada palavra que dele li. O túmulo é uma homenagem memorial.
   
Pretendi demonstrar o carinho pela vida e obra de um gênio único, de grandeza imensurável. Vida e obra... Uma vida cujos momentos finais demonstraram o quão injusta pode ser nossa espécie. A desprezível arrogância que ronda a estupidez humana. Já a obra, uma marca nos brindando eternamente. Um presente de valor incalculável a todos com o privilégio de beber dessa fonte.
Resultado final com detalhamento.
A arte de Wilde é como ele a enxergava. Para ele, a arte é sempre inútil. Ela não tem que servir para nada, apenas despertar emoções e reflexões interiores. Arrebatar temporariamente o sentimento humano e se tornar um estado de espírito. Fugir ao "útil" e ser uma experiência íntima. Elevar, transcender a razão. Ele fazia isso muito bem e sabia disso.