Na capa de estreia da revista The New Yorker, lançada há (mais ou menos) cem anos, há a ilustração cartunesca retratando um dândi. Estava ali uma caricatura clichê deslocada de sua essência. A figura afetada, almofadinha, examinava uma borboleta através de um monóculo. A sua aparência é uma fachada, uma estética ilusória de quem só quer os holofotes para si. Naquele caso, a imagem do dândi fora convertida na de um poseur - a superficialidade de uma encenação: imagens, personalidades e raciocínios nada genuínos. Em contraste evidente ao mais conhecido dândi da literatura do século XIX: o irlandês Oscar Wilde.Napoleon Sarony, renomado fotógrafo e suas lentes, eternizou o semblante de Oscar Wilde. Na clássica foto do dândi, vemos-no com a juventude em flor e a mente aguçada desafiando a moral daquele momento. Essa é a melhor imagem para recordarmos dele e de sua idiossincrasia tão peculiar. Como escritor, sabia chocar. Um habilidoso aforista, comumente reconhecido por seus paradoxos (frases unindo divergências e fazendo todo sentido). Tais pérolas, por vezes, revoltavam opiniões, pois eram provocativas e, ao mesmo tempo, concebidas com genialidade notável.
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| Havia um esboço por trás dessa camada. Mas vou deixar só o mais refinado aqui. |
Há muitas das publicações de Oscar Wilde - meu escritor de cabeceira - nas estantes de Oniria (o ambiente onde escrevo e desenho). Meu respeito à obra de Wilde é pleno e a sua personalidade me é objeto de culto. Sentia-me devendo em demonstrar gratidão aos pensamentos surgidos no riscar de meus contatos com a literatura. Para tanto, trouxe o post de hoje: a minha sincera reverência a Wilde em um desenho digital. Coloquei nele muito sentimento e o comprometimento de o executar bem - podemos estar seguros disso. O desenho veio com muita dedicação aos detalhes e capricho.
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| A arte final foi mais minuciosa do que parece. |
Pretendi demonstrar o carinho pela vida e obra de um gênio único, de grandeza imensurável. Vida e obra... Uma vida cujos momentos finais demonstraram o quão injusta pode ser nossa espécie. A desprezível arrogância que ronda a estupidez humana. Já a obra, uma marca nos brindando eternamente. Um presente de valor incalculável a todos com o privilégio de beber dessa fonte.
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| Resultado final com detalhamento. |





