setembro 2026 - Homem Quieto

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Harold Ross foi o criador da revista The New Yorker, cuja edição inaugural se deu em 1925. Sob a sua mão de ferro como editor rigoroso, Haro...

Harold Ross foi o criador da revista The New Yorker, cuja edição inaugural se deu em 1925. Sob a sua mão de ferro como editor rigoroso, Harold trazia brilhantismo à revista. Fez dela - e seu custo de 25 centavos - uma revelação para a época. Envolvido até mesmo com os cartuns, ele próprio se dispunha a criar as legendas - uma linha de texto simples - para os cartunistas de sua redação. Passava o olhar nas ilustrações e em seguida ditava as suas frases - sempre bastante afiadas. Essas necessidades - e urgências - da publicação mantinham a linha editorial desejada na The New Yorker.
 
Minha atenção se deteve nesses métodos, despertando-me o interesse. Iniciei uma ampla navegação no pinterest em busca de cartuns. Em grande parte cômicos ou eróticos. E todos bastante antigos. Não vejo mais peças tais como daquelas veiculadas hoje. Minhas recordações remotas - da infância - trazem os cartuns humorísticos nas revistas adultas e no "Almanaque Sadol", já esquecidos há tempos. No entanto, tornei-me um apreciador e, como desenhista, quis também tentar.

Até o fechamento desse post, criei 23 cartuns - incluindo Vivi Morbi e os do Mourn Rouse Cabaret. São meus primeiros passos. Um terreno sendo cultivado. Pela necessidade de expandir e melhorar sempre, a motivação se intensificou. Escolhi para Vivi Morbi os temas sombrios e para Mourn Rouse Cabaret o satírico/erótico. A capacidade de síntese e a elaboração das cenas requerem esforço. Mais do que eu imaginava. Ao contrário do aparente, o cartum não é apenas desenhar uma cena cotidiana - envolvendo mulheres atraentes - e incluir uma legenda.
 
Trabalho usando métodos bem meus. Nas madrugadas, leio letras de músicas sensuais ou textos eróticos e me inspiro. Durante as leituras, faço anotações à mão. Tento ajustar as ideias e a imaginação às temáticas (gótico - cabaré) e formular as frases. A partir das frases costumo, então, desenhar miniaturas das artes em meu sketchbook. Guardo e deixo maturar.
 
Depois vou para a prancheta e desenho com grafites 2B, transferindo em seguida, a uma folha limpa através da mesa de luz. Então aplico a tinta preta (nanquim e canetão). O passo seguinte é mostrar à IA e me certificar de que o cartum funciona. A interpretação da máquina me traz a segurança do entendimento de qualquer leitor. Depois peço para a IA fazer a tradução para o inglês.
 
Com esse novo mote de conteúdo, meus alcances nas redes sociais abertas diminuíram. Perdi seguidores. Nem por isso me frustrei ou pensei estar em um desvio de meu caminho. Tento manter o pensamento nos objetivos de melhorar e fazer com naturalidade. As maiores aprovações vieram no Reddit. Lá, obtive até 60 mil visualizações e em torno de 300 "aproves" em um único cartum.
 
Um resultado que se não demonstra factualmente ter sido bem-sucedido, pelo menos é um reconhecimento responsável por me apontar uma direção. Tornando óbvio o papel de se publicar online... no entanto pensei várias vezes em veículos impressos, mas então é outra história.
 
Desde o começo com os cartuns - sendo levados um pouco mais a sério -, em junho desse ano, tenho me dedicando obstinadamente. Desenhar é um prazer, criar cartuns também. Entretanto, tomei uma conduta fatigante: a de aplicar muita energia para apressar a produção e dedicar a ela todo o tempo livre. Isso, unido a todas às adversidades enfrentadas nos últimos meses, trouxe-me uma estafa. No "fim do dia" o ocorrido foi a criação de uma "dupla jornada", sendo que tenho um trabalho formal.
 
No domingo, quando estou escrevendo esse texto, foi de um fim de semana totalmente livre - desenhando no sketchbook despreocupadamente, jogando, ouvindo música e usando a internet. Entendi da necessidade de diminuir o ritmo. E ter essa consciência me relembrou sobre a prioridade de se ter a boa qualidade de vida e não me cobrar demasiadamente.