01/05/2026 -Japan Animation - Homem Quieto

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Comunicando-me com o mundo de minha workstation Oniria.

Setembro de 1995. Frequentava a banca de revistas do calçadão próxima ao fliperama. Queria HQs, ou publicações informativas sobre terror. Po...

01/05/2026 -Japan Animation

 


Setembro de 1995. Frequentava a banca de revistas do calçadão próxima ao fliperama. Queria HQs, ou publicações informativas sobre terror. Porém, minha atenção se voltou à gôndola das animações. Estava diante de uma Japan Fury. No volume, imagens de animes os quais jamais ouvira falar. Os Cavaleiros do Zodíaco - a bola da vez - recebiam destaque para chamar a atenção do público. Conhecia o "Cavaleiros" do ano anterior, quando o tema de abertura me fazia trocar rapidamente de canal para o torpor da MTV. Preferia os videoclipes, VJ's... o Beaves e Butt-head. 
O lápis foi tranquilo. Bem rápido.

Havia me distanciado definitivamente dos amigos de infância e da adolescência. Colecionava discos de Metal Extremo, Heavy Metal... estava frustrado com as aulas de guitarra. Precisava de novidades. Portanto, levei a Japan Fury na sacola juntamente a uma graphic novel do Wolverine. A linha editorial da Japan Fury era diferente, havia um tempero e uma comunicação bem peculiares. A curiosidade só crescia. Quem eram aqueles personagens de olhos imensos? Como podiam ter histórias tão absurdas? Brevemente, meu interesse fora capturado. O que também se tornou um dos motivos de eu voltar a desenhar.

 Depois veio a revista Herói e a quase homônima Heróis do Futuro. Sob a influência de tais leituras, passei a prestar mais atenção nas animações japonesas nas locadoras. Arrumei dois empregos (um deles com expediente nos fins de semana) e estudava à noite. O pouco tempo não rivalizava com a minha disposição juvenil. Eu desenhava e lia bastante e ainda trocava correspondências com outros fãs de animes e mangás. Era como eu aproveitava o tempo sem interações sociais - as quais não sentia a mínima falta.

Coloquei o sketchbook para rodar.
Aos sábados à tarde - quando de folga -, garimpava nas locadoras. Animes de todos os tipos surgiam dessas incursões. Já os mangás eram mais difíceis de se encontrar - os mais acessíveis e traduzidos, só os pornográficos (Hentais). U Jin e companhia povoavam as minhas gavetas. Alguns deles eram bem "errados", por assim dizer. No entanto, estavam esteticamente dentro de meus gostos. Quanto às buscas nas locadoras... executei longos trajetos através de todos os bairros com dedicação. Tendo dois videocassetes, assistia às VHS's e as copiava durante a noite para ver novamente em outros momentos. Vou listar aqui alguns dos achados mais significativos:

• Akira • Lady Oscar • A Espada de Kamui • Leda • Loke - O Superman das Galáxias • Lensmen • Capitão Harlock • Galaxy Express 999 • Lupin • Gato de Botas • Gamba • Robotech • Don Drácula • Gigi e a Fonte da Juventude • Baldios • Poderes Eróticos • Sonhos Molhados • Pop Shaser • Jovens Guerreiros • Terror em Love City, dentre outros.

No final, minha homenagem ao "Leda" completa.

Dessa lista, um dos mais legais era o OAV (Original Anime Video) "Leda". A boa animação e a historinha simples me fizeram assistir a este anime incontáveis vezes. O clima era de melancolia em uma cisão com a ação e a aventura. Eu, ainda imaturo, afeiçoei-me desmioladamente pela Yohko Asagiri, a protagonista. Mesmo com tantos sentimentos envolvidos, depois de uns dois ou três anos, deixei-o de lado. Vieram os fansubs (legendagens de animes feitas por fãs) e as coisas mudaram. Depois, com as novas tecnologias, os videocassetes não deixaram vestígios. Revisito hoje as imagens de Leda na internet e revivo antigas sensações. Tantas alegrias e angústias para recordar... Trago essa mistura ao post de hoje, onde meus personagens homenageiam a animação.
 
Lembrar de Leda no meu traço resgata os tempos do brilho no olhar com cada nova descoberta nos animes/mangás. E, também, de um ocorrido interessante: quando minha prima - prestes a se formar no colegial - me convidou para participar de uma feira de talentos do colégio onde estudava. Ela me deu um roteiro e pediu para quadrinizar. Levamos dois meses no projeto. Fizemos xerox das páginas e montamos um mural. Foi a primeira exposição de meus desenhos a mais pessoas do que apenas meu núcleo familiar. Acompanhei minha prima durante os dois dias do evento. Dentre críticas e elogios, sobrevivemos bem e, se não estou enganado, ela teve uma nota muito boa. São coisas como essas o motivo pelo qual continuo me dedicando ao desenho e à escrita. E tudo começou com um... exemplarzinho da Japan Fury.