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| O lápis foi tranquilo. Bem rápido. |
Havia me distanciado definitivamente dos amigos de infância e da adolescência. Colecionava discos de Metal Extremo, Heavy Metal... estava frustrado com as aulas de guitarra. Precisava de novidades. Portanto, levei a Japan Fury na sacola juntamente a uma graphic novel do Wolverine. A linha editorial da Japan Fury era diferente, havia um tempero e uma comunicação bem peculiares. A curiosidade só crescia. Quem eram aqueles personagens de olhos imensos? Como podiam ter histórias tão absurdas? Brevemente, meu interesse fora capturado. O que também se tornou um dos motivos de eu voltar a desenhar.
Depois veio a revista Herói e a quase homônima Heróis do Futuro. Sob a influência de tais leituras, passei a prestar mais atenção nas animações japonesas nas locadoras. Arrumei dois empregos (um deles com expediente nos fins de semana) e estudava à noite. O pouco tempo não rivalizava com a minha disposição juvenil. Eu desenhava e lia bastante e ainda trocava correspondências com outros fãs de animes e mangás. Era como eu aproveitava o tempo sem interações sociais - as quais não sentia a mínima falta.
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| Coloquei o sketchbook para rodar. |
• Akira • Lady Oscar • A Espada de Kamui • Leda • Loke - O Superman das Galáxias • Lensmen • Capitão Harlock • Galaxy Express 999 • Lupin • Gato de Botas • Gamba • Robotech • Don Drácula • Gigi e a Fonte da Juventude • Baldios • Poderes Eróticos • Sonhos Molhados • Pop Shaser • Jovens Guerreiros • Terror em Love City, dentre outros.
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| No final, minha homenagem ao "Leda" completa. |
Dessa lista, um dos mais legais era o OAV (Original Anime Video) "Leda". A boa animação e a historinha simples me fizeram assistir a este anime incontáveis vezes. O clima era de melancolia em uma cisão com a ação e a aventura. Eu, ainda imaturo, afeiçoei-me desmioladamente pela Yohko Asagiri, a protagonista. Mesmo com tantos sentimentos envolvidos, depois de uns dois ou três anos, deixei-o de lado. Vieram os fansubs (legendagens de animes feitas por fãs) e as coisas mudaram. Depois, com as novas tecnologias, os videocassetes não deixaram vestígios. Revisito hoje as imagens de Leda na internet e revivo antigas sensações. Tantas alegrias e angústias para recordar... Trago essa mistura ao post de hoje, onde meus personagens homenageiam a animação.
Lembrar de Leda no meu traço resgata os tempos do brilho no olhar com cada nova descoberta nos animes/mangás. E, também, de um ocorrido interessante: quando minha prima - prestes a se formar no colegial - me convidou para participar de uma feira de talentos do colégio onde estudava. Ela me deu um roteiro e pediu para quadrinizar. Levamos dois meses no projeto. Fizemos xerox das páginas e montamos um mural. Foi a primeira exposição de meus desenhos a mais pessoas do que apenas meu núcleo familiar. Acompanhei minha prima durante os dois dias do evento. Dentre críticas e elogios, sobrevivemos bem e, se não estou enganado, ela teve uma nota muito boa. São coisas como essas o motivo pelo qual continuo me dedicando ao desenho e à escrita. E tudo começou com um... exemplarzinho da Japan Fury.






