Homem Quieto: Desenhando

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Caso eu fosse visitado por uma fada me trazendo uma proposta mágica, eu a ouviria. Digamos ser o milagre oferecido, o de eu ter o traço de q...



Caso eu fosse visitado por uma fada me trazendo uma proposta mágica, eu a ouviria. Digamos ser o milagre oferecido, o de eu ter o traço de qualquer artista de meus gostos, adquirido sem estudo ou prática. Eu diria a ela para ir visitar outra pessoa. Estou satisfeito com o meu desenho. E isso não é falta de modéstia: encontrei um jeito de trabalhar, sendo ele prazeroso e que me traz realização. E eu não o abandonaria por nada. 
 
Persisto em meus métodos, pois atravessei doze anos desenhando para os alcançar. E nesse caminho, há variações no progresso - muitas vezes bem parecidas com o retrocesso nas habilidades. As escolhas foram aceitas e rejeitadas, deixei pedaços de mim nesse trajeto. Foi frustrante e empolgante na mesma medida. Tanto tive o desejo de atirar tudo para o alto, quanto a ansiedade de me livrar das obrigações formais para correr à prancheta todos os dias.
 
E assim, foram-se cinco, dez, doze anos para descobrir como executar e aprimorar o traço. A busca por referências e informações para acelerar o aprendizado jamais cessou. Também houve os investimentos nos cursos de desenho. Mantive a dedicação de quem ignorou o medo. O medo esse - o de falhar - que ocorreu sempre de mãos unidas ao prazer de me distanciar do mundo e dos problemas. Acredito ser justamente o processo o fator determinante para motivar um artista.
 
Quando estou aqui, em Oniria, entregue às minhas produções, nada me atinge. Os momentos de trabalho transformam cada segundo em algo que fada madrinha alguma é capaz de melhorar. Não digo de um jeito afetado de quem se considera um "artista". Sou humilde e muito apto a reconhecer as limitações em tudo o que me proponho a fazer. Mas sigo. Porque não estou preocupado. Quem dita o meu ritmo é a diligência à arte - o restante, abandono.
 
Hoje, diferente de alguns momentos do passado, a angústia de estar diante de uma folha em branco quase se escondeu de mim. Embora as referidas limitações, quando pego o papel, sei que posso imaginar e transferir o pensamento para lá. Isso até me prega algumas peças. Tenho muitas pareidolias diárias e constantes. Surgem desenhos em sombras, objetos e manchas. Meu olhar se detém em um canto da mesa e projeto uma mulher em miniatura - e ela praticamente se materializa diante da visão.
 
Não sei se é uma habilidade ou uma "fertilização" deliberada da imaginação. Ignorando se é um ou outro, penso nisso como consequência do trabalho com as imagens - talvez adquirida naturalmente. Levando-me a pensar se há a preocupação em desenvolver práticas como essas pelos iniciantes da atualidade. Tenho visto, nas redes sociais, excelentes demonstrações de talentos. É bonito e atrativo. Porém, observo sempre que, ou os vídeos são picotados ou acelerados. Isso representa um perigo. Fica parecendo que o processo inexistiu.
 
Para um neófito, traz o equívoco da rapidez e da facilidade ao executar uma obra - fica perfeito e linear. Os resultados surgem em menos de um minuto. A prática real revela o oposto: as tentativas e erros, cada passo sendo estudado, ajustado e toda a aplicação de esforços omitida pelas edições. O desenhista permanece na companhia de uma folha ao passar de horas, dias. Cada linha de nanquim é traçada lentamente, com a respiração presa, para ter precisão e não botar tudo a perder. Recuso a oferta da fada, pois construí o que tenho por mim e aprecio o meu processo.

Acrescentei um novo hábito ao meu cotidiano. Dentre os últimos meses do ano passado e a semana presente, carreguei na mochila alguns sketchb...

Acrescentei um novo hábito ao meu cotidiano. Dentre os últimos meses do ano passado e a semana presente, carreguei na mochila alguns sketchbooks de 14x21,5cm. Nada de folhas especiais e demais luxos, mas sim papel simples e boa encadernação. O hábito ao qual me refiro foi o uso quase diário dos cadernos. Mantive a constância nos dias úteis das semanas. Aos fins de semana, a regra são os projetos em quadrinhos. Reservo exclusivamente aos sábados o tempo mais prolongado em cima dos sketchbooks principais, onde as artes são melhor trabalhadas.
 
O realce sobre este experimento está no valor da persistência e da atenção. É ter de se concentrar todos os dias sobre o papel deixando as ideias fluírem, sejam quais forem os resultados. O uso do sketchbook menor também recebeu delimitações de tempo rigorosas: 15 minutos no meio da manhã e 15 minutos no meio da tarde. Quando iniciei, tentei a pausa após o almoço, mas preferi voltar aos intervalos citados. Complemento que, em alguns momentos, não me contentei com as execuções. Apesar disso, prossegui.
  
Dentro destas restrições, obtive mais fluência e agilidade, as ideias surgiam a todo instante. Observando por um certo prisma, a minha criatividade aguçou - nunca estive tão inspirado. O hábito era quase ritualístico: abrir o estojo, armar a pequena prancheta (um suporte para laptop de improviso) e ir para uma folha em branco. Desenhar e desenhar, explorar possibilidades. Um exercício o qual considero comparável ao ato de meditar. Através dele me permiti aplicar os aprendizados retidos ao longo dos anos.
 
A teoria, por si só, pode ser estéril caso não esteja aliada à prática. Fui bastante aplicado no desenho a partir da segunda metade da década passada. Só que eu o fazia - como já dito - somente aos sábados à tarde. De fato, com alguma regularidade. Mas obtive progressos satisfatórios, após os experimentos contínuos. Foram refinadas, no dia a dia, inúmeras peculiaridades ao meu traço - como as figuras humanas, os fetiches, as faces "vazias" femininas. Talvez tais avanços fossem adiados sem tal atitude. Essa mudança de ritmo incorporou aprimoramentos bastante valiosos às minhas produções principais.
 
Fechei o terceiro sketchbook menor, pela última vez, nessa semana. Olhei através da janela e deixei a mente um pouco "desocupada" - tanto nos 15 minutos da manhã, quanto nos 15 minutos da tarde. Optei por um curto período de reflexão - sem desenhar. Em breve retornarei, no entanto preciso de um "tempo". Não acho positivo tornar uma prática agradável, embora regular, em uma obrigação. Não há por que lhe retirar o brilho. Tenho fome de fazer arte e objetivos claros para mim. Porém, é necessário respirar para prosseguir.

A companheira de Vivi Morbi, nesta cena, vem da mente do sueco  Stieg Larsson , romancista criador da trilogia Millenium. Ele já não compart...

A companheira de Vivi Morbi, nesta cena, vem da mente do sueco Stieg Larsson, romancista criador da trilogia Millenium. Ele já não compartilha da existência conosco, porém, a sua obra permaneceu e perdurará. Stieg criou Lisbeth Salander, uma desajustada diagnosticada como incapaz. Embora isso, ela é uma junkie de informática, hacker reconhecida no submundo da computação e uma investigadora extraordinária. Desde criança, chocou-se com a incompreensão das pessoas com as quais foi obrigada a conviver - como educadores, um psiquiatra e, depois de adulta, um tutor pervertido.
 
A trilogia Millenium obteve boa avaliação do público e da crítica, tornando-se um Bestseller mundial. Recebeu adaptações cinematográficas tanto na própria Suécia como em Hollywood. Para mim, ambas foram satisfatórias - e seguindo a opinião mais clichê: o livro é melhor. Lisbeth e Vivi têm dois elementos em comum: ambas são fictícias e têm estilos de vida alternativos. Porém, ao passo que Lisbeth é explosiva e tem dificuldades para administrar afetos, Vivi é ponderada e amorosa com seus familiares.
Várias tentativas no momento do esboço. Estava difícil encontrar uma decisão final.
Os Morbis estão sob uma maldição: durante gerações, é escolhida uma nascida menina para servir às vontades de entidades malignas e, assim evitar a eliminação da família. Nesse pesado fardo, resta a fé em um dia atingir a liberdade - um sonho distante, na verdade. A fé de Vivi é agir acreditando na possibilidade do êxito. A esperança permanece sendo cuidadosamente trabalhada para não se tornar uma crença. Na crença, Vivi estaria cega, pois teria a certeza da realização. Algo desligado da realidade. A luta é constante e os propósitos são calculadamente perseguidos.
A folha aguentou as aguadas. Méritos do sketchbook.
Vivi e Lisbeth vestem-se excentricamente. Desafiam os "normies" descendo escadarias sem desviar o olhar do horizonte. São classudas e excelentes em se permitir diferenciar do mundo "careta". Afinal, é assim o modo de agir de todos os integrantes de subculturas em torno do mundo. Os gostos e atitudes consideradas "estranhas" aos cidadãos ordinários são justamente o diferencial de suas personalidades. Compartilho desses aspectos das duas personagens. Sou um homem com uma certa idade, porém, não pretendo deixar pelo caminho os traços da minha formação de caráter.
Essa duplinha alegrou minha tarde de sábado.
Mas voltando à Lisbeth... Stieg Larsson toca em um tema bastante delicado. Caminho em ovos com isso porque também me incluo no assunto. O tema é o trauma. A personagem lida com graves feridas em sua história. Por ser calada e introspectiva - e com a dificuldade de se abrir emocionalmente - acabou sendo maculada por este mal seguidas vezes. As pessoas nos dizem para abandonarmos o passado e seguir em frente, superar, etc. Porém, quando se diz para "virar a página", estamos ignorando o fato de que alguns parágrafos de nossas vidas vão nos machucar capítulo após capítulo, ou até a palavra "FIM".

Nos meus afazeres de início de ano aqui na Oniria (meu estúdio), achei por bem colocar dentre as prioridades as atividades no blog. Da pranc...

Nos meus afazeres de início de ano aqui na Oniria (meu estúdio), achei por bem colocar dentre as prioridades as atividades no blog. Da prancheta vim até a minha workstation de edição para o post de partida de 2026. Claro, trazendo para cá uma nova página de meu sketchbook, resultante de uma tarde de sábado após um delicioso café.
 
"The Ultimate Sin" é o quarto álbum do saudoso Ozzy Osbourne, ex-vocalista da lendária banda Black Sabbath e uma figura mitológica da música e do Rock. Merecidamente, Ozzy é reconhecido por sua vida e obra. Poder, vitalidade e irreverência marcaram a trajetória do ídolo. Tenho, em minha coleção de CDs, algo do legado do artista na carreira solo. Um recorte que vai de Blizzard of Ozz, até No More Tears. Por causa da admiração às várias facetas de Ozzy, resolvi trazer uma releitura da capa de um disco tocado muitas vezes aqui em Oniria.

A obra surgindo no meu estilo e com meus personagens.

Sobre até onde conheço a carreira de Ozzy, ele foi acompanhado por grandes músicos ao longo de sua discografia, resultando em uma sequência irretocável de discos. Ou seja: teve os cuidados merecidos e à altura de seu talento e valor como personalidade e vocalista. Em "The Ultimate Sin", temos um trabalho primoroso da primeira à última faixa, sem ressalvas. "The Shot in the Dark", canção responsável por finalizar volume, está dentre as melhores de minha vida.

O Sketchbook é o aliado do artista.

O poder da música de Ozzy ultrapassa fronteiras e nos leva a estados de grande satisfação. Para mim, significados insubstituíveis a manter comigo eternamente. Eu explico. Durante uma de minhas piores crises, reergui-me ao som de The Shot in the Dark. Ela se repetia na playlist no Winamp de meu computador... Tive a compreensão e apoio de meu pai. Tive os remédios. E, aliados a eles, os papos no mIRC e MSN com amigos os quais nunca vi os rostos e que os identificava apenas por seus nicknames. Tudo decisivo para tornar possível a minha recuperação prontamente, após alguns meses de sofrimento.
 
Embora eu seja grato por tudo isso, vamos falar um pouco mais do presente momento. Mostro aqui, ao visitante de meu blog, a releitura da capa de The Ultimate Sin, originalmente criada pelo ilustrador de fantasia e Scifi, Boris Vallejo. Experimento novas técnicas de pintura e, com um certo egocentrismo, substituo as figuras da arte original por meus personagens: Vivi Morbi e Etrom. Ambos de minha HQ Vivi Morbi, publicada digitalmente.

No ano passado perdemos Ozzy poucas semanas após seu último show. Assisti a despedida com grande satisfação em ver um homem liberto das limitações do mundo, corajoso e forte. Mesmo não sendo um exemplo a ser seguido por sua vida pessoal, Ozzy foi um guerreiro até o último instante. Seu trabalho fez o mundo conhecer um grande poder criativo e ficar face à inovações fatídicas na história da música. O grande "Príncipe das Trevas" participou de um fenômeno, foi capaz ajudar a trazer ao mundo o gênero musical que tanto adoro: o Metal.

  Todos os ritos e crenças à periferia das religiões dominantes, no ocidente, são considerados paganismo. Qualquer fé politeísta também é as...

 

Todos os ritos e crenças à periferia das religiões dominantes, no ocidente, são considerados paganismo. Qualquer fé politeísta também é assim tida. As tradições do Norte Europeu, anteriores à ascensão do cristianismo, cultivavam práticas comunitárias, adorações às divindades da natureza e aos atos heroicos inspirados em seus Deuses. Na contemporaneidade temos organizações de crenças nomeadas como "Neopagãs", resgatando os laços trazidos da antiguidade.
 
Esboço solto. Tenho usado o lápis e não lapiseiras.
O Paganismo enaltece a vida simples e as tradições e cultos ancestrais. Assim como nos povos originários brasileiros, e demais sul americanos, antes da chegada dos colonizadores contaminados pelo catecismo Apostólico Romano. No Antigo Egito, a primeira grande civilização de milênios antes do marco cristão, a cultura e a arte estavam interligadas à religiosidade politeísta - exemplo que se repete nos demais povos africanos. Similaridades possíveis de se encontrar nas tradições Xintoístas da Ásia, onde também se destaca o Budismo. 
 
Do Xintoísmo, distingue-se semelhanças à filosofia de Espinoza, na qual a espiritualidade interliga tudo como parte de um só ser: a Natureza. Visão que ilumina meus pensamentos místicos e convicções metafísicas. Encontro, na contemplação de um Universo miraculoso, a crença no panteão das mais belas leis regendo a realidade - poderes imensuráveis, nos quais me identifico e me diluo.
 
As folhas do novo sketchbook têm se mostrado ideais para pintura com aquarela.
Jamais tive proselitismos em minha formação de caráter, o que considero uma bênção. Os ritos segundo os evangelhos, seguidos aqui no Brasil, não fizeram parte das fases galgadas no meu progredir da vida. Sendo assim, permito-me ser e agir sob as glórias dos Deuses e na liberdade de meu próprio juízo, obtidos através do legado moral familiar, da cultura e das consultas às filosofias surgidas ao longo da história.
 
Com toda a inspiração pagã, ilustro este post. Aqui vemos Eliza Morbi, mãe de Vivi Morbi na pele da imortal (mas humana) Sibila. Acompanhamos a lindíssima Eliza/Sibilia na travessia da cratera do Vesúvio, levada por Caronte em seu barco. Essa passagem - como descrito por Virgílio - foi onde Enéas ofereceu sacrifícios às divindades infernais. Sibila padece de sua maldição de ser tão longeva em dias de vida, como na quantidade de grãos em um punhado de areia - que porém, não decorre para a juventude eterna, mas sim em um terrível envelhecimento.
Finalizado. Foi bom ter voltado com as cores.
Desenho Eliza a poupando de tal agonia, oferecendo-a apenas a beleza e o glamour de Sibila, juntamente às peculiaridades sombrias já conhecidas sobre a família Morbi. A Sibila mitológica tem, como ofício etéreo, descrever o destino de todos em folhas caídas de uma árvore. Tornando-se assim, a senhora do destino, da existência e dos nomes de nascimento da humanidade. Nossas histórias de vida são frases encantadas lançadas pelo Tempo, como um livro escrito ao acaso e à efemeridade.



Trago um motivo originado de uma comemoração do mês que atravessamos. Trata-se da mudança de estação do hemisfério norte das Américas. Uma t...

Trago um motivo originado de uma comemoração do mês que atravessamos. Trata-se da mudança de estação do hemisfério norte das Américas. Uma tradição celta apropriada posteriormente pela religião católica e convertida em tema festivo nos países Anglo. Dentre nós, brasileiros, reconhecemos o ensejo como "Dia das Bruxas", as quais não há ligação alguma dentre os festejos.
 
Para mim, o Halloween tem o seu valor. Um bom pretexto para fazer tudo o que já faz parte de meus hábitos do início ao encerrar do ano: assistir filmes de Terror e ouvir Metal Extremo, bem como fazer desenhos temáticos. O lado sombrio permanece, a despeito de quaisquer incentivos sazonais externos. Pertenço a esses costumes, tradicionalmente, desde muito jovem.

Cada vez menos detalhes no esboço.

Também não sou um morcego a todo instante... preciso usar minhas máscaras sociais para lidar com o mundo. Quando em convívio com os que povoam o meu cotidiano, desempenho a minha (falta de) habilidade social perfeitamente. E acredite: quanto mais me esforço em ser sociável, parece que estou fazendo ao contrário.

Sketchbook novo. Nova marca, melhor papel.

Sou um personagem de Halloween na alma, porém sem fantasias para afastar os maus espíritos... mas sim, a rigor, para repelir pessoas. Dada essa oportunidade do ano, permito-me transparecer, neste texto e ilustração, as minhas peculiaridades nada elogiáveis. Essas, talvez só aceitas neste momento e pelos simpatizantes da referida data celebrada.
 
Comentei dia destes, com minha mãe que, ainda com minha personalidade e predileções, as produções artísticas de meu portfólio aparentam alegria e graciosidades. As tentativas de demonstrar um lado sinistro são sempre falhas. Esse traço paradoxal até que me agrada. Muitas vezes a expressão bem-humorada e um timbre menos sombrio pode tornar agradável cada Halloween que passa.

Resultado final. Mexi digitalmente no segundo plano (estava muito intenso).

Talvez, a razão de minha arte seja mesmo a de divertir, alegrar ou (quem sabe) trazer beleza para perto dos olhos e aquecer os corações. Porque sinto bem-estar ao desenhar. Essa atividade faz meus dias correrem com mais entusiasmo. Quando posso parar tudo e pegar um lápis e papel, minha mente se torna limpa. As preocupações se esvaem... qualquer sentimento ruim dá lugar à tranquilidade. Pensando bem, os aspectos alegres fazem bastante sentido. Em última análise, perfeitamente compreensível.

Testemunhei meu desenho eclodir de um ovo evolutivo e se revelar coberto por sua plumagem esparsa, completamente vulnerável e faminto - quan...



Testemunhei meu desenho eclodir de um ovo evolutivo e se revelar coberto por sua plumagem esparsa, completamente vulnerável e faminto - quando lhe ofereci o calor de meu acolhimento. Laborei nele zelosamente, esperando um dia o ver se tornar uma elegante e astuta ave negra - tão negra quanto o nanquim o qual hoje lhe fornece forma. Vendo-o agora, alçando seus voos diante de tantos olhares curiosos (e às vezes admiradores), sinto-me orgulhosamente recompensado por progredir e pela disposição à perseverança.
 
Como assim o descrevo, o trabalho alcançou valor, adquiriu importância e foi além: transformou-se em um produto possível de ser oferecido como um presente. Presentear e ser presenteado me causa desconforto. Explicar isso coerentemente é difícil. Para mim, esse tipo de envolvimento me faz sentir encabulado. Em contrapartida, vejo a minha Arte como o presente mais sincero que eu possa oferecer. Veja: tais sentimentos reforçam as minhas convicções de meus pensamentos se voltarem mais à criação e serem menos lógicos. 
Na fase do esboço é preciso mão leve.
Foi como resultado desses pensamentos divagantes, o surgimento de uma leitora imaginária à qual quero presentear. Ela é hipoteticamente fã de minha HQ Vivi Morbi e cujo perfil fictício se incluiria: gostar de gatos, tatuagens old school, teorias conspiratórias sobre alienígenas e ter como filme predileto "A Fantástica Fábrica de Chocolates". Para mim faz sentido, então... seguimos assim... a lógica está suspensa, por enquanto. Descrições adicionais são desnecessárias - a ilustração fala por si.
  
Em uma análise rápida, há evidências sobre como eu surpreenderia singelamente a minha "leitora". Entendendo cada parte da ilustração chegamos ao todo. Concebo, assim, uma imagem e suas alegorias. Executo cada detalhe utilizando de algo ao que me refiro como "Arte Gráfica"... a rigor, o ato de "grafar". A grafia sugere formas e conceitos, alimentando as percepções e os pensamentos.
Meu sketchbook segue recebendo nanquim semanalmente.

Ao vermos a pegada de um tênis em um chão de terra, imediatamente associamos ao calçado. Saberemos aproximadamente o número comparando aos nossos pés. Se a marca do fabricante estiver presente, poderemos supor a suas campanhas publicitárias e estimar até mesmo o valor. Embora nas palavras desse post, e nos traçados de minha ilustração, não falemos de uma linha de produção, a analogia acrescenta bastante sobre as minhas intenções. Neste fazer lúdico, cubro a folha em branco, fazendo uso do improviso, do intencionalmente espontâneo e intuitivo e em suas escolhas mais honestas.
 
Sou o ator subindo ao palco e acrescentando falas ao script (enquanto escrevo) e faço tal o jazzista com o instrumento musical em suas mãos (enquanto desenho). Tudo ao meu modo, valendo-me da intuição inclinada ao dionisíaco e calando temporariamente os hábitos apolíneos aos quais normalmente sigo. Convertendo meu "modus operantis" habitual, trago na Arte a permissão em me contradizer. Aqui deposito justamente a quebra de qualquer regra. Exato como minha leitora provavelmente apreciaria e daria um sorriso aprovador.

Desenho finalizado.

E a quebra de regras é bem-vinda, ela traz emoções de difícil explicação. Houve um evento, em que expus, onde um rapaz pegou uma das prints de minha mesa enquanto eu "não via" e apenas a colocou em uma bolsa e saiu sorrateiramente com a sua apropriação indébita. Inicialmente fiquei furioso, porém o sentimento foi substituído em poucos minutos - pensei melhor e me senti envaidecido. Oras, meu desenho é assim tão valioso ao ponto de alguém querer roubar? Foi o que me pareceu naquele momento.

Seguiremos com esse novo formato de post, no qual faço comentários sobre os processos e falo de meus pensamentos ao longo da execução do tra...

Seguiremos com esse novo formato de post, no qual faço comentários sobre os processos e falo de meus pensamentos ao longo da execução do trabalho. Estou seguindo mais ou menos o método de escrita cunhado por May Sinclair, chamado "Fluxo de Consciência", o qual Doroty Richardson preferia se referir como "Monólogos Interiores". Minha memória precisa de auxílio, sendo assim, mantenho um bloco de anotações ao meu alcance durante meus momentos diante da prancheta.
 
A exploração criativa, dessa vez, vem em simbolismos muito particulares. Não busquei outras fontes senão o meu próprio subconsciente. Foi um desenvolvimento semelhante ao de uma brincadeira de criança. Pablo Picasso dissera que "Toda criança é um artista, o problema é como assim continuar depois de crescer". Agindo segundo essa ideia, apenas acessei as áreas ocultas do Jardim do Éden das minhas percepções e delas extraí as mais puras e inocentes imagens.
Esboço preliminar.

Quando Ferreira Gullar disse: "A Arte existe porque a vida não basta" demonstra um argumento incontestável, pois a ausência da Arte seria desesperadora. Afirmação possível de se estender às comunicações digitais. Sempre enxerguei algo de inventivo nos comportamentos online das pessoas. Algo em falta atualmente. Os nicknames foram abandonados, juntamente aos personagens assumidas pelos internautas de outras épocas. Ou seja, a fantasia tem se esvaído, substituída por debates e mais debates, uma opinião após a outra e, consequentemente menos imaginação.
 
De minha parte, o caminho lúdico da internet se mantém. O que produzo é tudo o que me preocupo em compartilhar. Agora, (como nesse texto) forneço ainda mais informações sobre cada desenho que eu fizer, indo além de apenas usar hashtags. Deste modo, descrevo agora um pouco sobre ilustração tratada nesse post. A ideia se formou de modo improvável: alguns vídeos curiosos no YouTube que assisti. Improvável porque tratavam de estudiosos operando experimentos entomológicos nada convencionais: cultivando "amizades" com insetos e aracnídeos venenosos. Impressiona como animais habitualmente hostis têm compreensão de quando seres diferentes deles são amistosos e oferecem cooperação. Então me ocorreu a minha personagem, Vivi Morbi, interagindo com uma borboleta cujas asas são lâminas de barbear.

Mais uma folha do caderno.

A flor e a borboleta tentando aproximação, ambas exibem aspectos delicados, mas também inspiram cautela, seja por serem cortantes, pelas pétalas pretas ou pelo caule espinhoso. O que a borboleta procura é o néctar na flor, simbolizado pela própria Vivi. A lingerie sugere aspectos atrativos, vulnerabilidade e libido, poder e beleza, dos quais a borboleta letal quer se saciar. Vivi é que permite quem pode ou não tocar a rosa sombria e fértil. Para completar a sensualidade do desenho, em segundo plano está a lua cheia. Essa fase lunar é comum na contemplação romântica, poética e no despertar erótico humano através de influências gravitacionais.

Resultado final.
Esse desenho foi o resultado de mais um sábado à tarde, quando após um café, vou para minha mesa de desenho. Tenho preferido o desenho tradicional. É que o digital está me cansado mentalmente. Não sei se o motivo é a troca das lentes de meus olhos, ou se esse suporte realmente tem esse efeito. Ainda assim, gosto de desenhar digitalmente, intercalando entre o papel e o display. O importante é fazer e ter uma boa relação com a Arte.

Trago, nesse post, a minha versão de um motivo abordado por muitos artistas dos movimentos Renascentista e do Romantismo. Pinturas nas quais...

Trago, nesse post, a minha versão de um motivo abordado por muitos artistas dos movimentos Renascentista e do Romantismo. Pinturas nas quais vemos uma bela jovem nos braços da figura de um esqueleto humano, representação arquetípica da Morte. Recebendo o mesmo título: "A Morte e a Donzela", tais obras exibem exatamente o que descrevem.
  
As maiores dificuldades estiveram nos detalhes. Ainda estou me acostumando ao meu novo par de óculos, sendo necessário me afastar e aproximar do papel seguidas vezes para revisar proporções e espaços. As lentes estão certas, vejo com nitidez, mas, às vezes, ainda há distorções relacionadas aos tamanhos dos elementos. O desconforto já foi mais intenso, entretanto está atenuando em direção da adaptação definitiva aos costumes dos olhos. 

Lápis do desenho.

Claramente, essa peça se mostra erótica e funesta ao mesmo tempo (Eros e Tanatos de Freud), temas relacionados pelos mistérios da existência e da inexistência. Os pensamentos me colocaram em um "Memento Mori" durante os cuidados em torno da finalização. Assim, caí em saudades, memórias de tempos do frescor da juventude, além de uma profunda e introspectiva reflexão sobre a finitude.
 
Aos vinte e quatro anos, vivia grande ansiedade por um dia publicar um quadrinho e o expor em eventos. Vontade realizada após os quarenta. Mas consegui. Mesmo tardando, tornei possível meu sonho maior, ficando quites com aquela versão passada de mim. Meus conceitos holísticos em torno da Arte contemplam tudo isso: as realizações, os resultados e o processo. A Arte mantém a saúde mental, acompanhada do auto aprimoramento... sobretudo minha relação comigo mesmo e a adoração à autoestima.

Sketchook companheiro dos Sábados à tarde.
Mas, muitas pessoas intensamente ligadas à Arte se encontram ou estiveram em mal-estar e agonias existenciais. Li, nessa semana em uma revista, sobre a escritora Virginia Woolf ter se jogado em um rio com dezenas de pedras nos bolsos, em um ato derradeiro. A Arte estava presente, mas a dose desse remédio fora insuficiente. O drama era pesado demais e as dores muito insuportáveis. Todos vivemos nossas agruras e, para alguns, elas são maiores do que podem sentir... Ainda assim, devemos lembrar sobre a beleza da vida, dos prazeres que dela advêm. Pois bem, esses são os temas desse desenho em última análise...
Resultado Final.
Mas, alegremo-nos com as delícias de viver com a Arte - e para deixar o post mais leve, vamos falar de algo menos sério. Como damos importância a coisas sem real valor, não é? Houve um dia em que fiquei emocionado por ter recebido oitenta e poucos likes em um post no instagram. E o que significa isso, afinal? Nada senão que oitenta pessoas apertaram um borrão de luz em uma tela de celular. É de dar risada, concorda?

Se o Artista unir técnica e conhecimento, estamos a poucos passos de uma boa execução. Caso já exista algum tempo de prática, então a reali...

Se o Artista unir técnica e conhecimento, estamos a poucos passos de uma boa execução. Caso já exista algum tempo de prática, então a realização será (quase) seguramente excelsa. Bastaria essas afirmações e encerraríamos o assunto por aqui. Mas não é apenas isso. Precisamos ir além de bons resultados, é necessário buscarmos o prazer da execução e nos deleitar com o processo.
 
Aprender, fazer, repetir, repetir novamente e atingir um objetivo... tudo isso é de grande valor e precisa ser observado. Quando estamos nos colocando em um projeto e fruímos em todos os detalhes e etapas até desmoronarmos de fadiga, bem sabemos o sabor dessa tragada. É um sentimento dividido e belo de se vivenciar. Só faz deste jeito quem tiver a verdadeira chama crepitando no peito e a alma completamente inebriada.
 
Porque é como o vinho, a poesia ou a virtude: um tipo de embriaguez. Rodeado por livros de referências, revistas e arquivos digitais mil, para mim, tudo se encaixa e está me gratificando diariamente a vida, ao passo que também a está consumindo e a encurtando. Meus olhos percorrem obras na caça por minúcias, avaliando as técnicas e o quanto de conhecimento foi utilizado. Pergunto-me: " quanto durou aquela estrada?". Nas navegações no YouTube assisto tudo sendo feito diante de minhas retinas... Vou ao encontro de artistas em várias partes do mundo, demonstrando suas habilidades através de audiovisuais em alta resolução.
 
Afundo em tudo até o impossível. O fascínio nunca se extingue, ao contrário, intensifica-se progressivamente. Há um constante envolvimento com novas obsessões artísticas e as recorrentes revisitações de quaisquer outras quase esquecidas. Está em meu âmago: abro páginas de quadrinhos escaneadas, ou de meu acervo físico e somente aprecio - como uma bebida ou uma joia preciosa.
 
Elaboro os meus roteiros e me volto ao manejo da tinta e do grafite. Avanço entre papéis e gadgats de desenho, manipulando pixels, gigabytes de arquivos editáveis em horas e horas que não vejo no relógio. Mesmo com minha mente e os olhos cansados e as costas precisando de alongamento, sempre há algo a ser feito. Enquanto observo todo o trabalho repousando em minha workstation - entre um intervalo e outro -, divago a respeito de tudo e reviso mentalmente o quanto dos meus dias dediquei àqueles fazeres, o quanto de mim foi aplicado. Estive nessa por anos... vidas passadas, talvez.
 
A minha Arte e as de meus contemporâneos precisam ser reviradas ao avesso, destrinchadas pelo público. Produzimos para isso: fazer todos se banharem, usarem e desusarem, dissecarem cada pedaço de nossas criações. O desejo maior de um quadrinista é apenas esse: o de excitar e saciar mentes ávidas por prazeres estéticos, visuais e narrativos. Precisamos -
reciprocamente - dos apreciadores.

    O leque se abre quando vamos partir à lineart de um desenho. No papel ou digitalmente - tanto faz -, está tudo à livre escolha, é só opt...

 
 

O leque se abre quando vamos partir à lineart de um desenho. No papel ou digitalmente - tanto faz -, está tudo à livre escolha, é só optar por como será a finalização. Antes, isso já fora chamado de arte final: a etapa do processo quando os últimos retoques são empregados. Pensa-se muito em aplicação de tinta na arte final... entretanto, muitos aspectos compõem esse momento. Hachuras, linhas e sombreados darão o aspecto ao desenho quando ele será abandonado definitivamente. Muitos têm medo quando situados aqui. Temem "estragar" o que começou. O que se trata de uma bobagem. Os métodos digitais eliminam esses temores, sendo possível voltar para antes do ponto em que errou, ou mesmo, eliminar as falhas sem vestígios. Quando no tradicional, até ser exímio na Arte, erra-se muito mesmo. Fazer o quê? Uma mesa de luz, ou tinta branca resolvem.
 
Observando os desenhos de nossos exitosos artista prediletos, podemos escolher nossas preferências. Quando se quer exibir um estilo semelhante, a cópia trata de ser uma prática bastante útil... Incluso na arte final. É uma maneira excelente de se desenvolver e entender o desenho em muitos sentidos. Copiar, para mim, foi um grande problema, pois eu acreditava que assim não cresceria como artista. Ter evitado a cópia direta no desenho me levou a dois caminhos: desenvolver minhas estilizações e recorrer a referências fotográficas. A fotografia se torna uma aliada nos trabalhos autorais quando existir a disposição de se acrescentar a imaginação ao que se está observando.
 
E as estilizações foram surgindo com a repetição e a necessidade de identificar - segundo o meu ponto de vista - cada elemento retratado. Exemplificando: tecidos, cabelos, traços de rostos e etc, são bem reconhecíveis no que faço. Mesmo não sendo 100% eficientes, as estilizações me permitem segurança para explorar. Meus cenários, luz e sombra, bem como as figuras humanas são padronizados, colocando-me muito à vontade para desempenhar quaisquer execuções. Zona de conforto? Sim... Eu gosto muito da "zona de conforto", e já falei sobre ela aqui anteriormente. Com muita honra, tenho meus progressos, expandindo habilidades dentro de meu território, tendo toda a satisfação que isso proporciona.

Algo, que gosto, e jamais abandonarei é a lineart mais encorpada. Linhas feitas com pontas de pincel (ou brushs digitais) com espessuras maiores dão formas agradáveis ao estilo e funcionam bem ao que me proponho a fazer. É muito legal aplicar o traço com variações, iniciando de leve, encorpando e voltando à leveza. Para os detalhes, costumo também usar canetas técnicas 0.5 no papel e o brush 0.10 nos softwares. Acho satisfatório essa troca de materiais para aplicações específicas, pois parece ser mais profissional. A arte final para mim é isso: deixar no papel a impressão que tive em minha mente para aquele desenho. Acho essa parte muito divertida!

  No desenho, necessita-se o entendimento de anatomia, luz e sombra, cores, formas, perspectiva e composição. Qualquer praticante com nível ...

 

No desenho, necessita-se o entendimento de anatomia, luz e sombra, cores, formas, perspectiva e composição. Qualquer praticante com nível intermediário já consolidou esses fundamentos… ao menos o bastante para colocar as suas ideias sobre o papel. E tais princípios evoluem com o mínimo de persistência. Não há limites para progredir, estagnar-se é a consequência de se estar satisfeito e não pretender ir além. Quando ainda em desenvolvimento, pode-se demarcar um escopo, como por exemplo, observar a obra de um Artista pela qual se agrada e a ter como destino maior a se atingir.
 
A certa altura, soltamos a mão das referências, percebemos nosso jeito de desenhar e acatamos as imperfeições. A união disso resulta no tão cobiçado “estilo”, comumente perseguido pela maioria dos desenhistas. O que só acontece espontaneamente e sem autoimposições - mas sim com naturalidade ao longo de nossas práticas. Quando o estilo se torna perceptível, então temos o progresso maior, o degrau derradeiro de nossas escolhas. Estando, deste modo, diante do domínio da linguagem com a qual nos propomos expressar na plena certeza de que temos um timbre único. Mas para isso, precisamos dos ensinamentos de dois professores de disciplinas distintas: O Tempo e a Prática.
 
O Tempo oferece o amadurecimento e a compreensão. É impossível ultrapassar o tempo, ele é implacável e severo - não há como o apressar, nem o fazer parar. Devemos entender que o tempo é único, porém se move de forma diferente para cada indivíduo. Como bem sabemos, essa dimensão universal é relativa e de percepções diversas. O Tempo oferece infindáveis alternativas de sermos transformados pela experiência. Do mesmo modo, o Tempo é um "bem". Uma moeda. Tão valioso que devemos usar muito conscientes de sua valia.
 
O professor seguinte é a Prática. Fazer, refazer, verificar no que errou, fazer novamente e se aplicar a entender sobre o que está trabalhando, prestando a máxima atenção. O praticar deve ser diligente e constante. É necessário retirar aprendizados dos erros e acertos, sempre em busca de uma melhor execução. Se não houver empenho e constância, os resultados também não surgirão e é possível haver o desânimo diante das consequentes dificuldades. Por isso, deve-se reservar espaço na rotina para a prática.
 
Quando nos orientamos com o Tempo e a Prática em prol de propósitos mais "subjetivos", como o cultivo de um pano de fundo para nossas vidas e obras Artísticas, invocamos o entusiasmo e atraímos grandes inspirações, fortalecendo-nos para externalizar as nossas mensagens do jeito como pretendemos.

A preocupação sobrepujante em acertar é um temor capaz de nos levar à procura de artifícios diversos em nossos fazeres criativos. Mas a cria...

A preocupação sobrepujante em acertar é um temor capaz de nos levar à procura de artifícios diversos em nossos fazeres criativos. Mas a criatividade, por sua vez, necessita de liberdade e não de travas mentais - seus horizontes só se ampliam com algumas ousadias. A imperfeição pode ser uma professora dedicada, quando o conforto solitário dos processos Artísticos nos leva a resultados inesperados. A disciplina aliada à displicência fortalecem os músculos criativos, dando mais vigor aos acasos. Assim funciona o talento: vontade de ir além juntamente aos estudos e à diligência.
 
Quando abrimos a percepção nessa direção, encontramos a aceitação dos defeitos e o abandono dos vícios. Os medos na Arte impedem os nossos progressos. Eles começam com os referidos “artifícios”, com os quais convivemos sob à aflição pelo êxito. Com o tempo, incorporar as imperfeições leva à expressividade e, derrubando uma barreira de cada vez, o Artista vai de encontro à grande chance de execuções surpreendentes. Obviamente, sem se eximir de técnica e conhecimento.
 
O Artista com maior prática perceberá a valia de galgar as próprias limitações. Nesse estágio, ocorre uma fração de iluminação sobre sabermos muito pouco mas, ainda assim, alcançamos um enorme progresso. Minha experiência diz que a prática Artística é, inicialmente, uma habilidade análoga ao pedalar de uma bicicleta, na qual o progresso principal acontece até a etapa de simplesmente subir no mecanismo e manter equilíbrio. A Arte livre é o que vem após isso, quando rodamos sem as mãos nos guidões, saltando uma rampa, empinamos, atravessamos uma avenida movimentada.
 
Devemos soltar o traço, entregar o comando da aventura à perda do controle. Se não para expor a outros olhos, pelo menos para exercitar para si. Progredir em silêncio em sua oficina particular, na calada da noite, é quando não há borracha para apagar, mas há pinceladas esdrúxulas e arriscadas. Aceitemos o erro, para assim, ampliar a visão e pôr uma lupa nas imprecisões e as adotar, transformando-as em evolução.

Pergunto-me qual a possibilidade de reproduzir o mundo ao nosso redor sem o observar, e como se poderia realizar um trabalho sem consultar g...

Pergunto-me qual a possibilidade de reproduzir o mundo ao nosso redor sem o observar, e como se poderia realizar um trabalho sem consultar guias teóricos. Fico ainda intrigado, sobre haver quem defenda a hipótese de se desenhar sem seguir os feitos de bons artistas. Mesmo os nossos colegas mais hábeis em criar imagens sem referências, estes assim o fazem por terem tudo espantosamente guardado em suas memórias. Não se faz um retrato com os olhos fechados, bem como não existe aprendizado sem acessar registros de nossos entornos.

Nas cátedras de Artes, ainda as mais modernas, realiza-se muito do que chamamos de “copiar”... e isso está errado? Exercitar as cópias e as repetir são excelentes métodos para artistas em todos os níveis de experiência. Havendo organização na jornada de um desenhista, copiar é edificante, e tem importâncias inquestionáveis. Não acredito em um talento nato, o qual supostamente faria uma pessoa ser simplesmente um gênio sem quaisquer esforços maiores (tanto os autodidatas, quanto os conduzidos por um mentor). Alguns são, de fato, melhores para absorver uma habilidade, mas ela jamais é adquirida no berço.
 
Não existe problemas em acessar o Pinterest, ou o DeviantART e encontrar uma ideia. Podemos abrir milhares de imagens e isso vai nos garantir, se não o sucesso, uma boa maneira de evolução. As referências estão em uma tela de celular, em um monitor ou em qualquer lugar do ambiente real… são incontáveis as opções para “usarmos e abusarmos” tanto para a diversão, quanto para adquirir mais habilidades. Chacrinha, o grande comunicador, foi certeiro ao parafrasear Lavoisier, dizendo que “nada se cria, tudo se copia”. E acrescento que quando algo é copiado, pode haver aprimoramentos, pois, como o velho ditado popular nos diz: “quem conta um conto, aumenta um ponto” (e não me refiro à mentira).
 
Penso muito favoravelmente sobre estar submerso em imagens, dos mais distintos temas. A consulta a livros, fotografias, desenhos e demais elementos gráficos fazem parte do processo... com eles é possível a elaboração de painéis semânticos e a pesquisa por produções de artistas inspiradores. Um mapa de influência também é um bom ponto de partida para obter progresso. Todos nós devemos nos nutrir de informações todos os dias, pois assim teremos as matérias primas para criar. A internet é o nosso recurso para encontrarmos o caminho e não sou somente eu quem percebe isso, como bem sabemos. E a história começa sempre com uma referência, ou a união de várias e assim, colocamos a mão na massa. Isso contribui para um bom desenvolvimento artístico e nunca deve ser considerado uma “trapaça”, tal como muitos gostam de repetir por aí.

Percebi que meus textos se tornam muito "viajados" em alguns momentos. Para evitar que isso se repita muito e, também, para tornar...

Percebi que meus textos se tornam muito "viajados" em alguns momentos. Para evitar que isso se repita muito e, também, para tornar o blog mais objetivo, crio a coluna "Abstraço" com o fim de demarcar um espaço onde me permito abstrair e divagar um pouco mais livremente. Então, vamos ao primeiro número: Abstraço #001 - Amadurecimento da Arte.
 
Uma Arte madura não pode ser determinada como melhor ou pior. Ao evoluir, as direções a escolher são diversas, tendo em comum apenas a necessidade de persistência. O ideal pode dispensar o mais belo ou o mais virtuoso, sobrepondo tais atributos, essencialmente pela originalidade.

As resoluções mais satisfatórias ao Artista, a meu ver, ultrapassam a necessidade de uma estética voltada à perfeição, bastando estar em consonância com o dialeto imagético pretendido. Reside na autenticidade, por mais excêntrica que aparente, o romper com os fundamentos, sob o propósito de efetuar a Arte provida com reais peculiaridades identitárias - logicamente, resultantes de muito estudo e experiência em sua execução.

"A regularidade, a ordem, o desejo pela perfeição destroem a arte." - Pierre-Auguste Renoir.


Já em idade avançada, acometido por artrite crônica, abalado pela morte da esposa e com seu primogênito ferido em guerra, Renoir lança essa pérola com toda a sua sinceridade aos que discordam ou não. Impossível não considerarmos a visão acurada, opinada por um exímio pintor e de longa vivência, de personalidade e reputação quase lendária, cujas vida e obra ecoam à eternidade. Simpatizo com tal pensamento e o valorizo, até porque identificar-se com uma afirmação tão controversa é uma premissa de coragem. Ainda que nossas Artes (a minha e a de Renoir) difiram acentuadamente, é flagrante em meus registros Artísticos algumas impressões bem similares.

"Quando eu tinha 15 anos sabia desenhar como Rafael, mas precisei uma vida inteira para aprender a desenhar como as crianças“ - Pablo Picasso.
 

Seria de se esperar uma afirmação inquietante vinda do gênio Pablo Picasso, mas nessa, temos algo muito ousado. Na voz de um Artista de tal grandeza, a dúvida é encoberta pelo êxito de obras brilhantes. A frase revela não ter sido da noite para o dia a sua descoberta do que desejava para si: uma vida inteira se encarregou de o fazer entender o recado. O legado de Picasso não pode ser ignorado, seus feitos inovadores fazem parte de um vasto acervo histórico, tanto como objetos de contemplação em museus, como focos de estudos nos meios acadêmicos. Temos aqui, então, mais uma evidência sobre o amadurecer da arte: ela, às vezes, acontece na simplicidade.
 
Vem-me à lembrança a fábula do jovem obstinado, tomando uma difícil jornada no deserto egípcio em busca de um mapa onde há a localização de um tesouro escondido. Depois de um longo tempo e incontáveis provações, chegando ao destino, encontra o mapa e lê nele que a localização do tesouro seria sob o solo no local exato de onde partiu. Artista algum jamais se opôs ao aprofundar nos fundamentos, anatomia, perspectivas, técnicas, materiais e demais requisitos teóricos. São neles os alicerces para a consistência do fazer Artístico, pois como ilustra a fábula, houve uma caminhada ao longo de anos no deserto.

 
O primor pode ser o menos, o espontâneo. A admiração e reconhecimento são dispensáveis se o artista faz a sua arte convicto de seus objetivos. Não há lei, falamos sobre um território sem empecilhos.

 Outros números do Abstraço.

Há uma vasta gama de possibilidades ao desenharmos com a ausência das cores e com a soma de todas elas: o preto e o branco. É claro que em t...

Há uma vasta gama de possibilidades ao desenharmos com a ausência das cores e com a soma de todas elas: o preto e o branco. É claro que em torno das cores, orbitam fundamentos científicos diversos, os quais comprovam o quanto é possível atingir sensorialmente quando exploramos este campo de estudos. A História da Arte nos mostra que a influência das cores - presentes desde a propaganda, passando pelo entretenimento, até os museus - atrai o interesse e encantamento de multidões, não importando quais as suas origens. Entretanto, quando há apenas duas possibilidades - o minimalismo de dois elementos -, o assunto também passa a ser igualmente interessante e profundo.

O Yin e o Yang, a luz e a sombra, o preenchimento e a ausência.

Sempre gostei da arte monocromática, observando-a tanto em obras de autores como MC Echer, quanto nas páginas das Histórias em Quadrinhos (Conan, Dylan Dog e Hellboy, etc). As múltiplas possibilidades do preto sobre o branco trazem elegância e, segundo as habilidades do Artista, leituras de imagens extremamente agradáveis aos nossos olhos.

O alto contraste e as projeções rígidas em preto no Desenho também necessitam de muita atenção e conhecimentos. Essas técnicas causam estímulos marcantes ao observador. Do lado de quem executa a Arte, os usuários do nanquim puro - às vezes aliado à tinta branca - transformam claro e escuro em efeitos de subtrações, tridimensionalidades, profundidades e volumes.

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Já estou aprendendo, observando e tentando chegar lá. Há muito a ser estudado ainda e esses desafios são sempre intensas motivações, cuja tenacidade exigida é de onde retiro o entusiasmo em absorver ideias. A cada dia colho um pouco de meus esforços e o processo ensina, mostra possibilidades e me faz querer melhorar. Essa disposição pela constante produção traz muita energia e torna ainda mais deleitoso o meu caminhar ao longo da vida.

Durante os meses passados, coloquei em prática algumas tentativas com a arte monocromática, usando tinta nanquim e recursos digitais. O resultado foi um fanzine de vinte páginas intitulado “Black Ink Girls”. Um nome já bem sugestivo se considerarmos o teor deste post. Neste volume virtual (em PDF), faço uma coletânea dos meus melhores resultados iniciais, trazendo concepções com a estética de luz e sombra sem tons intermediários. Espero que o leitor goste.

Quem tem o prazer de desenhar circulando nas veias, sabe o quão gratificante é colocar as ideias no papel. Os estudos, o uso das referência,...

Quem tem o prazer de desenhar circulando nas veias, sabe o quão gratificante é colocar as ideias no papel. Os estudos, o uso das referência, os materiais, o processo... tudo leva sempre à satisfação pessoal. Quem também tem lembranças de uma adolescência em meio a papéis, lápis e canetas e as inúmeras tentativas e erros do traço... conhece as recompensas de se viver em outra sintonia, com a sensibilidade de portas abertas.

O registro mais antigo que tenho de HQ feita por mim (1995)

É pouco dizer que sou nostálgico, mesmo a essa altura da vida. Ainda hoje me volto, frequentemente, às lembranças dos anos pós puberdade, quando eu desenhava e já fazia quadrinhos. Com uma rotina de entrega ao desenho e aos meus personagens, eu me divertia extraordinariamente! Porque não havia pressão e pouca gente via o que era feito - no máximo os amigos próximos e minha família. Meus feedbacks não eram likes, mas sim sorrisos ou comentários encorajadores. A Arte recebia atenção de verdade e era realmente relevante do jeito que deveria ser a um jovem aprendiz.

Ultimamente estou nessa "vibe". Esqueço as exigências (muitas delas partindo de mim) e sigo desenhando livremente, apenas para ter o lúdico trazendo um pouco mais de felicidade aos meus dias. Obviamente que não é somente a Arte a responsável pela felicidade: o convívio com as pessoas queridas, o trabalho, os animais, o entretenimento, etc... também causam bons sentimentos e contribuem para uma mente ser tornar ainda mais criativa. Só que a atividade artística entrega ao cotidiano um tipo de Magia. O envolvimento com a criação e a sua prática me despertam um estado de graça muito similar ao experimentado nos melhores dias da infância.

Terminou, para mim, a busca por aceitação dentro do ambiente virtual. Procuro fazer o meu melhor, ou o que me satisfaça - e fim de papo! Acho excelente quem ambiciona ampla visibilidade e vejo como bastante válido quem queira lucrar com a Arte…capacitar-se, fazer networking, entender o mercado, empreender, etc… Presumo que nunca esteve tão fácil viver de Arte, porque a internet, além de ser uma fonte de informação em prol de tudo isso, é também uma vitrina imensa, com contatos mil, ali, ao alcance. Basta adaptar o trabalho para que seja um produto ou um serviço e fechar negócios.

Por esses motivos digo que cheguei ao topo de minha montanha, e vislumbro que atingi uma altura que me permite avistar o quanto ainda mais tenho a escalar, algo que me causa entusiasmo e me leva a querer vestir minha mochila, calçar bem minhas sandálias e seguir a trilha olhando a bela paisagem que me cerca.

Quando mais jovem, entusiasmado e querendo “aprender” Desenho, levei até um professor de Artes (de um atelier aqui perto) uma pastinha com m...

Quando mais jovem, entusiasmado e querendo “aprender” Desenho, levei até um professor de Artes (de um atelier aqui perto) uma pastinha com meus rabiscos despretensiosos. A análise do homem foi esnobe e incisiva: “és um desenhista e não um artista”. Nem me matriculei no curso, saí de lá cabisbaixo, frustrado, desmotivado. E passei a pensar bastante sobre me tornar um “Artista” e não só um “desenhista”. Como se houvesse diferença, não é? Mas aquela semente de dúvida germinou e se enraizou em minha mente a ponto de me estagnar. E achei que jamais alcançaria nenhum de meus objetivos.

O início das coisas em tempos distantes.

Quando lembro daquela conversa, vem-me à mente os trabalhos do professor nas paredes de seu estúdio - nada extraordinário, tudo beirando à mediocridade… E eu, considerando-o em uma posição mais elevada e de maior experiência, fui afetado violentamente pelo seu comentário.

Folheei HQs e mais HQs de meu acervo decidido a buscar o que havia de “Arte” e o que havia de apenas “desenho” nelas... Ocorreu-me primeiro que talvez as obras com o traço perfeccionista fossem a resposta. Anatomias perfeitas, poses, cenários, perspectivas, etc… Após isso, ao contemplar obras excelentes, mesmo sem todas essas virtudes, perguntei-me se seriam então os resultados mais displicentes realmente dignos de serem considerados obras de um “Artista”.

E foi assim que desde então me voltei às minhas próprias convicções com relação à Arte e ao Desenho: acredito na honestidade.

Sim, porque ser honesto com a sua Arte é bem mais importante do que realizar complexas balizas no traço e se igualar aos ídolos e grandes autores. O que fazemos com nosso trabalho é - sob o meu ponto de vista - o que importa, é para onde somos levados. O estudo, a prática, a busca por se aperfeiçoar são indispensáveis e, no final, entregar o melhor de si é mais importante do que atrair atenção e reconhecimentos incomensuráveis.

Do mesmo modo, não se deixar tomar pela preguiça também tem o seu valor. Fazer Arte de forma diligente, sejam quais os impedimentos a serem galgados, já demonstra uma força que só levará ao sucesso. Ainda que a um sucesso interior: o da certeza de que houve esforço e o do dever ter sido cumprido. Há muitos que ficam na promessa e não colocam a mão na massa, o que é comparável com os que até fazem, mas sem capricho, empenho e praticam a Arte esporadicamente.

Com minha opinião formada e a observação acurada, aprofundo-me em cada obra que me aproximo e vejo qual o seu peso e valor. E, por isso, só posso admitir que o professor de Artes fez a sua parte: me levou a refletir. Pensar e tirar conclusões a partir da análise - independente influências e usando de conhecimentos sedimentados - são exercícios individuais salutares e relevantes para se compartilhar.

Minhas memórias de 2014, ano em que levei mais a sério a jornada no desenho e nas HQs, fazem-me sentir que valeu a pena. Naquele ano fatídi...

Minhas memórias de 2014, ano em que levei mais a sério a jornada no desenho e nas HQs, fazem-me sentir que valeu a pena. Naquele ano fatídico, a Inspiração vinda do YouTube moveu a minha curiosidade por técnicas e materiais de desenho, assim como o DeviantART provocou um intenso desejo de me expressar como os artistas daqueles arredores. Eu já rabiscava antes (como dizem... desde criança), por isso a ignição se deu quando percebi que havia algo em mim a favor dessas vontades.

Vasculhando cada canto dessa minha “linha do tempo”, concluí que, em algumas ocasiões me saí muito bem. Melhor até que hoje! Essa é uma impressão minha sobre o passado que talvez seja mera memória afetiva daquele momento de entusiasmo. Não obstante, observo as nuances pelas quais passei e as alterações berrantes na minha produção - e também uma evolução bastante perceptível.
 
De todo modo, artista algum nasce pronto. Evoluímos eu tomamos decisões diferentes ao progredir. Hoje, eu trouxe alguns exemplos de minha produção daqueles tempos e os comentarei.
 

Essas meninas marcam uma fase que me satisfazia bastante. Eu adotava as hachuras como recurso e minha arte final era mais fina, utilizando de canetas UniPin. É evidente que eu já trazia na bagagem um relativo jeito com figuras humanas, usando de gestuais e expressões faciais eficientes. Lembro de que eu não usava referências, o que tornava o trabalho mais difícil - algo que considero meritório.


Os temas singelos como motivos tinham um ar nostálgico e eu optava por cores bem vívidas. Sempre estive entre a "fofura" e o "sombrio" e considero a produção desse período destoante do humor lúgubre em que me encontrava, mas que depositei mais tarde no fanzine "Prisma Negro".
 

A fase seguinte veio acompanhada do digital. Essa arte foi uma das primeiras 100% feita no computador. A paleta de cores definitiva já se desenvolvia. Em meu DevianrART, há mais dessa leva, com alguns resultados que até o presente me agradam muito.

Esses a cima foram quadrinhos que postei na internet pela primeira vez. Antes deles, eu era bem relutante em me abrir para o mundo.
 
Continuo testando as possibilidades. O passado foi importante, mas o momento de se mover avante é sempre o presente. E os resultados acontecerão com a naturalidade enquanto eu estiver produzindo e aprendendo.

Materiais em mãos, um ajuste na cadeira, nos aproximamos da prancheta ou da mesa… E... então, estamos diante de uma folha em branco de um sk...

Materiais em mãos, um ajuste na cadeira, nos aproximamos da prancheta ou da mesa… E... então, estamos diante de uma folha em branco de um sketchbook. Aquele ânimo urgente de desenhar parece ter nos abandonado e, como em uma conversa entre estranhos, o assunto não surge. Vamos estragar uma folha? Não vou fazer uma Obra de Arte magnífica? Talvez, e do meu ponto de vista, são as últimas coisas a se considerar ao se usar um sketchbook. Colocar nele o que tivermos vontade é o que o torna um instrumento de tão ampla utilização.

Tenho minhas estratégias para lidar com esse momento tão peculiar. Há uma fonte inesgotável de personagens fictícios por aí, dos já desenhados antes, aos existentes só na imaginação - de outros autores e das nossas. Também talvez fotos de pessoas que conhecemos da mídia ou pessoalmente (nossos celulares estão apinhados de fotos). Há a possibilidade de utilizar o sketchbook para treinos e experimentações - que podem perfeitamente ir para uma rede social, ou serem mostrados ao pessoal em torno da mesa no shopping. Eu acho que podem sim, o critério é se divertir.

A Rainha das Trevas.

Desafiar-se é uma boa. O exercícios de concepção de personagens seguindo temas como cores, elementos e referenciais diversos possivelmente dará muito o que trabalhar e exercitar. Por exemplo: figuras humanas com características de frutas, animais, vestuários específicos e outras infinidades de motivos. As experimentações com materiais diversos também trarão resultados interessantes. Lápis de cor, aquarelas, Copics, nanquim etc... Todos são bem-vindos nas páginas de nossos cadernos.

Treinos também têm sua beleza.
Não aborte seus desenhos, não desista deles, ou os subestime. Há muitas maneiras de melhorar e transformar os erros em acertos. O legal é fazer de cada sketch, por mal executado que seja, merecedor de uma atenção com cuidado especial de ser finalizado mesmo com seus defeitos. Eu encho cada folha com vários rabiscos para que os desenhos feios realcem os melhores e o melhores valorizem os feios também. Devemos nos permitir o desenhar feio, torto, afinal o sketchbook é uma brincadeira. Levar ele a sério demais torna as coisas chatas.

Funkeira fazendo poses.

Todos os sábados à tarde, tomo meu café e após minhas obrigações, abro o sketchbook e passo momentos muito agradáveis. Na maioria das vezes, pego meu tablet, acesso o Pinterest e o que vier eu topo. Fotos, cenários, bichos, mecanismos… Vale tudo. E é essa a minha sugestão a todos com fome de fazer arte, de expressar e criar através do traço.

Então, já sabe. Tenha um compromisso com o seu sketchbook e busque as inspirações prediletas com tudo o que você tem vontade. Eu faço assim, pode ser que também funcione com você.